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Cozinhar com

Venez j'vais vous aider. On descend et hot c'est parti - Amélie Poulain

À Conversa com (Bárbara Oliveira)

A Bárbara tem a sensação que nasceu com o gene DRD4-7R, responsável por determinar se alguém prefere a comodidade de casa ou a urgência de viajar, assim sendo, de forma muito amável, também se aventurou a responder a umas quantas perguntas e ao desafio por mim proposto, deixando o meu blogue, tal qual um dos seus objetivos com o mundo, "um bocadinho melhor". 
O dia mundial do livro foi ontem, mas só hoje é que vos presenteio com esta leitura que certamente vos fará viajar! Afinal de contas não é isso que as boas leituras nos fazem?

 

O desafio foi ilustrar através de uma fotografia a seguinte frase de Antoine Saint Exupéry: 

 

“Sou um pouco de todos que conheci, um pouco dos lugares que fui, um pouco das saudades que deixei e sou muito das coisas que gostei"  

 

Desafio 1

 

Obrigada por este desafio! É mesmo verdade que a Bárbara de hoje é isso tudo. A Bárbara que hoje responde às tuas perguntas “construiu-se” em todas as experiências que teve até agora. A frase começa com “Sou um pouco de todos os que conheci” e essa é talvez a maior das verdades, aprendo muito com cada pessoa que se cruza comigo. Depois claro, os lugares têm sempre algo a ensinar também. E as saudades então…ai as saudades! As saudades da “minha realidade” e que valorizo sempre de outra forma quando me distancio dela durante algum tempo. Por isso sou isso tudo! É uma frase com a qual me identifico bastante, pelo que escolhi tirar uma fotografia em que eu apareço a olhar para o horizonto com o pôr-do-sol (desculpa-me o clichê por favor!) porque é de facto o que representa para mim a “absorção” de tudo o que vivo. Tirei esta fotografia no meu café favorito da Ilha de Moçambique que se chama “Rickshaw”. Rickshaw (riquexó em Português) é um meio de transporte e não tivesse eu uma certa paixão por meios de transporte, que achei que poderia ser uma boa representação dos lugares que já fui e que me “construíram”. Bem como, por ser um transporte antigo consegue-me dar um sentimento de nostalgia, ou de saudade, pelo que achei que seria um bom cenário para ilustrar a frase que me pediste! Espero que gostes!

 

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1. Notei que umas das imagens que te poderá definir, para além de todas as tuas incríveis fotografias de viagens – vão ver tudinho no instagram @wanderandnutrition! – é a de uma fruta – O Ananás! Como ambas sabemos, é bom para a digestão porque contém uma enzima, a bromelaína, que tem influência positiva nesse mesmo processo. Agora pergunto-te, porquê o ananás? Poderíamos dizer, metaforicamente falando, que tal como esta característica do ananás, imagem que atribuis ao teu blogue Wander and nutrition é uma forma de “digerires” tudo o que vais vivendo (e vendo) – tanto de bom, como de menos bom – nas viagens que fazes, inclusive a que decorre neste momento por Moçambique?

Querida Estefânia, engraçado pois nunca tinha visto as coisas nessa perspetiva! Mas faz de facto muito sentido. Conseguir digerir tudo o que vivo ao longo das viagens e das experiências que vou vivendo é algo essencial para poder selecionar aquilo que devo ou não reter para mim. Tal como no processo da digestão, em que o nosso organismo seleciona aquilo que vai absorver e aquilo que vai deitar fora, também nós deveríamos ter a capacidade de reter aquilo que nos aumenta enquanto pessoas e “deitar fora” aquilo que nos pode tornar mais pequenos, deixar mais frágeis ou que tira o melhor de nós. Todas as experiências e as fases da vida que vivemos, de uma forma ou de outra, deixam-nos mais cheios de saberes e emoções que nos vão completando e vão formando a pessoa que somos e que queremos ser.
A imagem do ananás foi selecionada por ser um alimento colorido e apelativo: a sua grande coroa verde, que nos pode lembrar que devemos andar sempre de coroa e de cabeça erguida no nosso dia-a-dia. A sua casca rija, que nos recorda a força com que sempre devemos permanecer, mas que envolve um fruto doce e com uma textura muito especial e única, lembrando-nos também que é assim que devemos ser: doces, especiais e únicos.

 

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2. Duas das vinte dicas que dás para sermos saudáveis é: “Ri-te. Ri-te muito” e “Não te compares com os outros”. Na tua opinião, achas que a sociedade atual está a caminhar no caminho certo – que será colocar em prática algumas das dicas faladas – ou pelo contrário – está a tornar-se cada vez mais sisuda e sem individualidade?

Acho muito que os conceitos de saúde e felicidade estão inegavelmente interligados. Pessoas felizes e positivas são, normalmente, mais saudáveis. E mesmo que a vida lhes pregue uma partida, conseguirão reagir e atuar melhor se o seu estado-espirito for positivo perante a vida. Também a saúde atua na felicidade das pessoas, será até mais fácil ver neste sentido. Uma pessoa com saúde acaba por ser uma pessoa mais feliz, mais grata por estar capaz de viver o seu dia-a-dia e por poder partilhá-lo com as pessoas que mais ama, na sua melhor condição.
Gosto de pensar que somos todos diferentes, e que num todo, em sociedade não haja um caminho 100% certo que estejamos todos a seguir. Desde a origem do ser humano, tenho a certeza que já houve muitas modas, muitas tendências e a verdade é que todos nós caminhamos, nem que seja um pouco, para essas modas e tendências. É também uma estratégia, por vezes inconsciente, de nos sentirmos parte da sociedade, o que não significa necessariamente que nos estejamos a tornar pessoas sem individualidade. Infelizmente, acho que muitas vezes somos atacados por situações que nos deixam mais frágeis e com uma autoestima mais baixa, levando-nos a compararmo-nos com outras pessoas que estejam em situações que nós consideramos melhores que a nossa. A verdade é que crescemos muito a comparar-nos com ou outros o que acaba por nos deixar com o foco no exterior e não no nosso interior. Devemos ter a capacidade de reconhecer que nunca sabemos, nem vemos o todo de uma pessoa e devemos saber que o nosso foco deve ser em nós próprios, isto é, não devemos querer ser iguais ou melhores que X pessoa, devemos sim querer ser melhores do que aquilo que fomos até agora. Só focando em nós próprios conseguimos alguma mudança sustentável e é isso que quero transmitir quando digo “ Não te compares aos outros”. 

 

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3. Dizem que “rir é um dos melhores remédios”, mas a prática de atividade física regular e uma alimentação equilibrada, saudável e variada, também. Tendo tu, pais professores de educação física, certamente esta premissa sempre foi incutida. Fala-nos um pouco sobre a tua relação com o exercício e a alimentação saudável.

É verdade, sou a filha dos “professores fixes”. Os professores de educação física são sempre os “mais fixes”, não é verdade? Cresci sempre muito ligada à atividade física e não me lembro de um ano da minha vida em que não tivesse praticado algum desporto. Comecei pela ginástica, que foi e é uma grande paixão. Mais especificamente a ginástica acrobática que pratiquei desde os meus 6 anos até ter sido obrigada a desistir com 16 anos por estar a ter notas decadentes no ensino secundário. Ao mesmo tempo que fazia ginástica acrobática cheguei a fazer Ballet, Hip-Hop, Trampolins, Tumbling, Patinagem Artística, Surf e ainda joguei ténis (muito provavelmente estou-me a esquecer de algum..). Na escola , as aulas de educação física eram as minhas favoritas e foi sempre o que me ajudou a subir a média.
Sempre acompanhei também o meu pai em caminhadas pela Serra de Sintra, passeios de bicicleta, voos de parapente, experiências de mergulho, que ele organiza e participa desde que me lembro! Sempre fui muito motivada pelos meus pais para praticar atividade física.
Em relação à alimentação saudável a história é outra (risos). A minha mãe nunca foi uma grande cozinheira então as nossas refeições sempre tiveram de ser muito… digamos “práticas” (aka alimentos já preparados ou refeições daquelas já prontas). Posto isto, o meu perfil nutricional nunca foi o melhor. Até há pouco tempo sempre fui assim mais para o “fofinha”. Eis que comecei a licenciatura em Ciências da Nutrição e a situação começou a melhorar, aliás, a situação mudou por completo. Não fiz uma “dieta para emagrecer”, simplesmente alterei o meu estilo de vida: comecei a alimentar-me corretamente e mantive sempre a prática de atividade física. Antes de vir para Moçambique frequentava um ginásio (que adoro e tenho imensas saudades), mas como aqui não há ginásios tive de me motivar para manter uma prática (quase) diária de exercício. Corro pela Ilha de Moçambique e faço exercícios localizados no telhado de minha casa com uma vista incrível sob este pedaço de terra.

 

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4. Em Portugal vivem-se tempos de “aderência a modas”, nomeadamente à moda dos considerados “superalimentos”, produtos que grande parte do mundo da nutrição (e não só) nos últimos tempos tem andado a pregar. Em Moçambique, acredito que não haja essa aderência - nem pouco mais ou menos – por indisponibilidade dos produtos, capacidade financeira para gastar nisso, e se calhar mesmo, por desconhecimento. Uma das coisas que dizes fazer é “desenrascar com os alimentos simples”. Assim sendo, dou-te a escolher: alimentação “keep it simple” ou “aderir às modas superalimentosas”. Porquê?

Eheheheh, fizeste uma boa pesquisa de tudo o que andei para aí a dizer Estefânia! Então, primeiro há que saber o que é um superalimento. Segundo o que aprendi, o termo Superalimento é utilizado para descrever alimentos com alto valor nutricional e com vários benefícios para a saúde, contudo não passam de alimentos simples e naturais também, talvez com um acesso mais restrito. Mas este acesso também depende muito de onde estamos, não é? Por exemplo, aqui em Moçambique não tenho acesso a clorelas, spirulinas ou açai. Mas por outro lado, tenho acesso a Moringa! Quem já ouviu falar da Moringa? Estão algumas informações no meu blog: https://wanderandnutrition.wordpress.com/2017/02/14/moringa/. Acredito que daqui a uns tempos vá ser também um dos alimentos da “moda” e aqui é algo já muito usado e consumido. Tal como o famoso óleo de coco, que agora está na berra. Aqui é uma das gorduras mais consumidas, pois o seu valor económico é bastante acessível comparando com outras gorduras como o azeite.
Quero com isto dizer que não sou “contra” aos alimentos da moda, desde que sejam consumidos com moderação (como tudo, correto?) e sabedoria. Por isso, a minha resposta à tua pergunta torna-se complicada. Será que pode ser “keep it simple and natural”, que não invalida também o uso e consumo destes famosos “superalimentos”? Por favor aceita esta resposta.

5. Acho-te verdadeiramente uma rapariga sonhadora, que busca ascender, tal como um balão de ar quente, pessoal e profissionalmente em prol do Bem! Como tu o dizes, acerca da tua ida para Moçambique fazer o estágio à Ordem dos Nutricionistas, “vim cá tentar deixar o mundo um bocadinho melhor do que como o encontrei” – certamente conseguiste-o! Qual o próximo destino/mundo que gostarias de deixar um bocadinho melhor?

Tens muita razão Estefânia, sou uma pessoa muito sonhadora, por vezes demasiado utópica ao ser louca o suficiente a achar que posso mudar o mundo. Mas também acho que se não forem loucos como eu a mudá-lo, quem será?
Estefânia, sabias que é responsabilidade do Homem colocar o balão de ar quente no ar? Também é o Homem que o vira ora para a esquerda, ora para a direita. Mas o seu percurso, esse é “escolhido” pelo vento. Também Moçambique não foi uma escolha minha, costumo dizer que foi Moçambique que me escolheu a mim (bom, Moçambique e a ONGD HELPO), porque quando me candidatei a este estágio esperava ir para São Tomé e Príncipe, mas afinal acabei aqui, nesta Ilha lindíssima que é a Ilha de Moçambique.
Há dois anos tive uma experiência de voluntariado nas Filipinas que também me marcou imenso, nessa altura conheci 3 Indianos por quem me rendi completamente. Desde então que sinto uma imensa vontade de ir explorar a Índia e toda a sua cultura maravilhosa. Esse talvez fosse um sítio que gostasse “deixar um bocadinho melhor” até porque também apresente elevados índices de pobreza e de desnutrição. 

Vou direcionar o meu balão de ar quente para aí, mas quem sabe onde me leva o vento entretanto?!

 

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À Conversa com (Inês Oliveira)

Eis uma fotografia que representa o meu pequeno almoço, que requereu algum raciocínio da minha parte. E de quem foi a culpa de tal raciocínio? Creio que da Inês. O porquê está no blogue! Adiante.. apesar de lhe estar a deitar as culpas, confiei na inocência dela (até porque foi um bom crime)  e quis que ela fosse a personagem principal desta Conversa.

Ambas ocupámos Leiria e a Escola Superior de Saúde nos mesmos anos e nas mesmas salas, mas acima de tudo partilhámos u gosto comum: a Nutrição. Ah! E um instagram com muito comidinha! Ao longo de 5 respostas tereis um grande privilégio (for free, boys and girls): viajar até ao Brasil! E mais não digo, para sabereis o resto tomai só o cartão de embarque e depois é convosco... se decidis ficar ou não? Eu ficaria, para ler mais Conversas e quem sabe não ter outras viagens de passar a perna a qualquer companhia aérea.

 

Troca de desafios

   

O desafio que a Inês deu à Estefânia

 

• Faz um prato 100% vegan, com alto teor em ferro, zinco e vitamina B12.  

 

Escolhi fazer um batido com espinafres, morangos, e kiwi. A acompanhar está um pudim de chia, aveia e bebida vegetal de amêndoa e ainda umas castanhas do pará. 

 

• Os espinafres ficou preenchido o requisito do ferro, mas não é bem assim.. Os espinafres apesar de o conterem, também contêm oxalatos em grande quantidade, um chamado "anti nutriente", isto porque, ao ligar-se ao ferro, diminui a sua absorção no organismo. 

• Os morangos e o kiwi, não é a toa que aparecem aqui, pois sendo frutas ricas em vitamina C, vão ajudar à absorção do ferro. 

• A chia, possui ferro numa quantidade 3 vezes superior à existente no espinafre.

• A aveia, por sua vez, é um cereal muito rico também em ferro, porém, contém igualmente um "anti nutriente" - os fitatos, daí eu tê-la demolhado no na bebida de amêndoa, de forma a diminuir o teor do mesmo.

• A vitamina B12. Existindo no desafio o fator vegan, tive que, obviamente, eliminar as principais fontes dessa vitamina - produtos de origem animal como o peixe, carne, ovos, queijo e leite.O que me restava? Levedura de cerveja ou algas - através destes dois produtos (por exemplo adicionando levedura de cerveja a batidos) os vegans conseguem obter vitamina B12 e assim garantirem os níveis regulares. Outra forma disso acontecer é através da suplementação. Pois bem, aqui em casa não havia nada disso, então adicionei ao pudim de chia e aveia bebida de amêndoa (Alpro unsweetened almond milk), que é enriquecida em vitamina B12

• As castanhas do pará (castanhas do Brasil) são, tal como outros frutos oleaginosos, muito ricos em zinco.

 

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O desafio que a Estefânia deu à Inês

 

• Fotografa algo que para ti seja o teu significado de Nutrição e justifica-me o porquê do que fotografaste.

 

 Para a Inês, o significado puro de Nutrição é: uma imensidão de vitaminas, minerais e antioxidantes.

 

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1. Para começar: uma pergunta cliché que faz todo o sentido, visto teres uma conta no Instagram (@nutrines.oliveira) ligada à área. Porquê a escolha ter recaído na área da Nutrição?

É muito simples a resposta a esta pergunta. Em 2009, a minha mãe teve um linfoma (está tudo bem agora), e com alguns conhecimentos que já tinha conclui que, a alimentação é fulcral para a cura de uma doença tão assustadora, bem como para outras também… Assim decidi estudar na área da Nutrição! Sinto-me felicíssima por ter concretizado este objetivo de vida e poder ajudar as pessoas nesta área.

2. Quem te conhece sabe que tens uma irmã gémea, a Catarina, licenciada em Educação Social – partilho aqui o seu instagram dedicado à sua área de formação (@educacao_social_).
Não pergunto quem foi a primeira a nascer (para não criar disputas) mas pergunto: de que forma achas que a tua área e a da tua irmã se podem complementar?

Adorei a questão! Já agora fui a primeira a nascer (risos).
O curso da minha irmã em nada tem haver com o meu, mas complementam-se. Como? Promovendo ações de sensibilização na área da saúde, desporto e bem estar com diferentes tipos de público alvo (idosos, crianças, jovens, famílias). A Catarina teve uma cadeira no curso, intitulada de “Promoção de saúde – oportunidades, estratégias e práticas” em que abordavam vários temas relacionadas com a saúde nomeadamente, primeiros socorros, atividade física, alimentação saudável, problemas de saúde, hábitos saudáveis, obesidade infantil, políticas públicas de saúde, entre outras temáticas. No tempo em que ela teve essa cadeira, todos os fins de semana que eu ia a casa, a Catarina falava comigo sobre o que tinha aprendido e eu achava muito curioso o interesse dela pela área da saúde. Ora, posto isto, concluo que nos completamos perfeitamente nesta vertente das ações de sensibilização.

3. Dos 4 anos em que convivi contigo, sempre tive a ideia que és uma rapariga bastante desportiva. Confirma-se? Confirmas-me ainda que a tua área favorita será a Nutrição Desportiva?

Confirma-se! Durante bastantes anos pratiquei basquetebol federado e ainda natação. Neste momento não pratico, mas as corridas e as caminhadas fazem parte da minha vida.
Sim, umas das minhas áreas favoritas é a Nutrição desportiva, sem dúvida! Como sempre adorei desporto a minha área de estudo, que é a nutrição, complementa ainda mais esta paixão.

4. Pessoalmente, acredito que tenha que haver sempre uma adaptação da nossa alimentação ao país em que nos encontrámos. Afirmo isto porque sei que fizeste o teu último estágio no Brasil, um país tipicamente conhecido pela picanha, arroz com feijão, água de coco, paçoquita, tapioca, frutos exóticos, entre muito outras coisas saudáveis e não tão saudáveis, tal como em Portugal. Houve alguma adaptação a fazer ou a alimentação continuou exatamente igual? Fala-nos um pouco disso e das diferenças que encontraste com a dieta mediterrânica.

Vou adorar responder a esta questão.
Sim, houve algumas adaptações. Quando cheguei ao supermercado pela primeira vez, reparei que não havia peixaria, claro que, naquela zona do Brasil faz sentido não haver, mas eu, como estou habituadíssima a comer peixe, vindo da lota/peixaria, sempre muito fresco e com muita frequência, para mim seria impensável prescindir dele. Depois lá encontrei os congeladores com peixe (com muita tristeza tive que me habituar).
Outra questão foi o típico arroz com feijão, nossa que maravilha! Confesso que em Portugal não comia, mas lá era impensável não comer.
Na zona onde vivi durante 6 meses, uma das bebidas que os lajeadendes não dispensam é o chimarrão. É uma bebida tipicamente brasileira, feita através de uma erva: a erva mate. Fiquei fã e até trouxe para Portugal.
No Brasil também comi com muita frequência tapioca, recheava sempre com doce de leite (maravilhoso este doce).
Falando de algo mais saudável... A fruta! Todas as semanas comia papaia, mamão, caqui (parecido ao dióspiro), abacaxi e goiaba, estas são as frutas mais baratas. Por incrível que pareça, só comi maçã uma vez, por ser extremamente cara.
Em relação à carne, como estou habituada a tudo caseiro foi um choque muito grande ter que comer as carnes vendidas nos supermercados. O facto de não terem sabor e de parecem que são puro “plástico", não me agrada! Ah, já que estámos a falar de Brasil, uma nota: não gosto de picanha.
Quanto à água de coco, só bebi uma vez diretamente do fruto, em Florianópolis, é bastante agradável e fresco! 
Resumindo, inicialmente custou um pouco habituar-me a novos alimentos, mas depois “deu tudo certo”, como os brasileiros dizem.

 

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5. Para terminar, e como sei que também gostas de cozinhar, aproveito para te colocar um dilema: preferias ter que preparar para sempre só pequenos-almoços e/ou lanches (não terias direito a outras refeições) ou tinhas o direito de preparar também almoços e/ou jantares, mas esses tinham que ser só peixe?

Sem dúvida que preferia ter que preparar para sempre almoços e/ ou jantares sendo esses só pratos de peixe. Prefiro o peixe à carne, sempre.

 

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À Conversa com (Marta Correa)

É a primeira pessoa, profissionalmente ligada à área da nutrição a aparecer por aqui e, certamente, não será a única.
A Marta, licenciou-se na mesma cidade e no mesmo curso que eu, só que em anos diferentes. Estava eu a dar os primeiros passos, enquanto que, a Marta caminhava/corria a passos largos/a alta velocidade de ultimar a sua viagem académica. Para além disso, e tal como eu, conseguimos verificar através do seu Instagram (@Healthy_Chincue), a sua notável paixão por comida aliada à sua vasta criatividade, de tal modo que a desafiei a criar uma receita. Oh, e é um exclusivo, vede lá a sorte que tendes!

 

Desafios. Esta também poderá ser uma das palavras que a caracteriza, pelas variadas razões de que nos fala na Conversa, pelos treinos a enfrentar o frio, pelo corrente mês em que se está a desafiar a 21 dias vegan e por este ano ser o ano do seu casamento (acaba por ser um desafio, am i right?).

E é assim, com a certeza de que todos serão, seguramente, bem sucedidos em prol da felicidade, que vos deixo com a Conversa, e duas receitas que a Chincue decidiu partilhar.

 

Numa das publicações do seu Instagram, a Marta escreveu algo com que muita gente se vai identificar

 

"Não sou, claramente, uma futura chef, mas há algo muito forte que me apaixona na arte de cozinhar, criar, servir...é o facto de podermos materializar e colocar num prato o melhor que sai de nós para dar aos outros. É a oportunidade que temos de poder criar algo com todo o nosso empenho, amor, carinho e dedicação e partilhá-lo com quem amamos, para que possam sentir o mesmo que nos faz feliz a nós"

Para começar, eu é que agradeço o convite para entrar nesta "tua casa" e poder participar enquanto a primeira profissional na área da nutrição (sem pressão, hum.. hehe). É, sinceramente, com muito gosto que aceito participar e espero estar à altura de tal honra!

 

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1. Uma pergunta que sempre me intrigou, e que espero vê-la “desmitificada”, é a seguinte: o Healthy já percebi, e quem te segue, claramente que também dará rapidamente conta do porquê… e o Chincue?

Hehe essa é uma pergunta bastante frequente, em vários contextos na verdade, isto porque Chincue é a minha alcunha desde que me lembro de existir. É quase mais meu nome do que Marta, de tal maneira que, apesar de hoje em dia já estar mais habituada a que me chamem de Marta, pessoas que me são muito próximas, se calha chamarem-me pelo nome e não por Chincue, eu tomo mesmo como uma ofensa hahaha.

E porquê Chincue? Bom, porque comecei a falar aos cinco meses e o meu pai (que é chileno e adora italiano) contava a toda a gente que a filha dele aos "cinque" (cinco em italiano) meses tinha começado a falar, tanto repetiu que ficou a minha alcunha. Quando aprendi a escrever, achei que fazia mais sentido ser escrito com H e assim ficou. A maior coincidência é eu ser a primeira de cinco irmãos, o que torna a coisa ainda mais gira! 

 

2. Soubemos, ainda em 2016, que foste pedida em casamento na Disneyland Paris. Para alegria do Daniel. e obviamente da tua, disseste que sim! Se, hipoteticamente, o mundo estivesse virado do avesso e daqui em diante os casamentos não se fariam de excessos, nomeadamente a nível de comida, como seria o teu imaginável healthy wedding? 

Ui essa não é fácil! Sinceramente, para mim, um estilo de vida saudável passa por incluir estes dias que são, obrigatoriamente, a exceção. Dito isto, claro que considero este dia um exagero a nível alimentar e, apesar de seguir muito a linha tradicional do que é um casamento em Portugal, no meu casamento vou ter algumas alterações na ementa, de forma a poder incluir algumas alternativas que considero mais saudáveis e divertidas.

Eu não consigo imaginar um casamento totalmente healthy mas, se fosse facilmente adaptável, trocaria o "Cocktail Drink" (habitual dos salgadinhos e tostinhas com pastas) por um carrinho de pipocas (sou fã), outro de maçãs do amor e outro de gelados de iogurte e frutas feitos, no momento, com azoto líquido, não imagino nada mais fixe do que isto num casamento, e claro que incluiria umas espetadas de frutas e outras de legumes e shots de sopa de melão e melancia, seria muito por aí.

Mas, mais do que alterar a ementa, penso que o que tornaria um casamento "mais saudável" seria criar um ambiente que obrigasse a que os convidados passassem mais tempo a conviver em torno de atividades do que à volta de uma mesa. Essa, para mim, é a verdadeira questão.

 

3. Entrava eu no 1º ano de Dietética, saias tu meses depois como já licenciada. Se não fosses dietista o que serias?

Sinceramente não sei. Sempre quis ser cirurgiã, desde pequena mas, na verdade, na hora de escolher percebi que o que eu realmente sabia fazer melhor era comer haha. Em criança sofria de excesso de peso e, claro, de muito gozo por parte dos colegas, até que um dia mudei de cidade, da Amadora para Oeiras, e tudo mudou! Decidi que ali seria diferente (por receio e insegurança daquela mudança) e que o peso não seria mais um problema e, sem noção, acabei por desenvolver um distúrbio alimentar. Para além disso, uma mãe solteira com cinco filhos não é "pêra doce" e nem sempre tivemos tudo o que precisávamos então, enquanto mana mais velha, sempre cuidei e cozinhei para os meus irmãos com o que havia desde os sete ou oito anos o que, na verdade, desenvolveu muito o meu lado criativo hehe. Tudo isto pesou na minha escolha de profissão e, caso não fosse Dietista, claramente seria outra coisa qualquer relacionada com comida.

 

4. Treinos, é algo que vemos a fazeres com muita vontade e sorriso no rosto. É algo que fazes desde sempre ou que surgiu já em idade adulta? Com intuito de motivar os iniciantes, que mensagem deixas?  

Sim, é algo que adoro e a regularidade com que faço não é apenas por gosto mas sim por necessidade. É realmente terapêutico para mim. Sempre fiz exercício físico, em miúda jogava muito à bola, ténis, baseball, basquete etc (não fosse eu a única rapariga de cinco irmãos). No meio de tantos irmãos e todos eles rapazes seria impossível não me tornar um bocadinho num também.

Para quem está a iniciar um estilo de vida saudável, há três coisas que não podem faltar: um objetivo, perseverança e honra.

O objetivo é o que te faz querer correr o percurso, o que te motiva;
A perseverança é a qualidade que não te faz desistir com facilidade, o que te mantem a persistir;
A honra, essa é aquela que existe quando os outros dois fraquejam, é a honra ao compromisso que fizeste contigo mesmo que, quando o resto falha, mantém a disciplina e o respeito que é preciso ter por ti mesmo para chegar até onde te comprometeste.

O que sinto é que, todos os dias em que fui correr sem ter vontade, foram dias de superação em que me tornei mentalmente mais forte e com maior controlo sobre a mim, sobre a minha vida, no sentido em que eu sei que consigo alcançar tudo aquilo a que me proponho.

 

5. Fazer scroll no teu Instagram é levar com um boost de energia e muita cor! Serão estas duas das muitas palavras que te podem definir como pessoa? 

Sim, sem dúvida. Há tanta coisa cinzenta à nossa volta, tantos dias, tantas pessoas, tantos momentos na vida que são cinzentos que, podendo optar, opto por abraçar todas as cores que tenho à minha volta. Sinto, muito honestamente, que todos os dias em que posso comer o que eu quero, estar com quem quero e como quero são verdadeiramente uma bênção. No meu percurso nem todos os dias foram coloridos e, por isso, aprendi a olhar com entusiasmo para tudo o que corresse bem no meu dia e, com isso, sou feliz!

 

Desafio: Inicialmente, pedi-lhe que fotografasse o seu alimento favorito e fizesse uma receita com ele, mas, como vão ler, o caso mudou de figura e eu, coloquei-a à vontade para que, ela própria desse ao desafio o rumo que quisesse.

Pediste-me para fotografar o meu alimento favorito e foi, para meu grande espanto, um verdadeiro desafio que me levou a perceber que não tenho um alimento favorito haha. Estranhamente não consigo destacar nenhum alimento de todos os que adoro comer, cada um tem um cunho muito forte no meu coração.

No entanto, consigo dizer-te qual o que eu não gosto de todo: feijão! Persegue-me desde criança, como se de uma assombração se tratasse. Tentei gostar dele inúmeras vezes, dei-lhe oportunidades sem fim, umas por imposição dos adultos, outras porque percebi que realmente é um alimento fantástico do ponto de vista nutricional. Tentei tanto que lá encontrei uma forma desta relação resultar e, daqui, surgiram uns hambúrgueres de feijão e cogumelos, inspirados numa receita de um dos livros vegetarianos da Gabriela Oliveira.

 

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Entretanto, como me apanhaste a meio de uma experiência vegan, e como me pediste que inventasse uma receita, deixo-te uma das experiências (sem nome oficial) que correu bem e que foi resultado da necessidade de imaginação que esta fase criou.

 

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