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Cozinhar com

Venez j'vais vous aider. On descend et hot c'est parti - Amélie Poulain

À Conversa com (Márcio Menino)

"Sometimes you just have to wait for the magic to happen in the kitchen. It’s a kind of art actually, the right proportion of spices will give you a dish to fall in love (...) So, it’s better to just let the chef do his work calmly and enjoy the flavour later."

 

Um dia, o Márcio, no seu instagram (@marciomeninoescreveu isto. Chamou-me logo à atenção, porque é realmente o que sinto: cozinhar para quem gosto de modo a que se alegrem as papilas gustativas e cozinhar com calma, isso sim, posso dizer que será uma das minhas maiores virtudes, em tudo na vida! Assim sendo, partindo deste belo extrato de texto, resolvi desafiar o Márcio! Aceitou (sem obrigações, juro!) amavelmente responder a umas quantas perguntinhas, bem como a um desafio, claro está, fotográfico (que tão bem se adequa a ele): fotografa algo, refiro-me a comida, que não gostasse nada, mas que até achasse fotogénico. 
Assim foi, fez-se magia, desta vez não na cozinha, mas aqui, numa simples e agradável Conversa.

 

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O desafio foi cumprido!

"Nas minhas aventuras no mundo da gastronomia já fotografei muita comida, e houve casos em que a foto em si quase me puxava para comer o que ali estava à minha frente, mas o cheiro e o sabor, principalmente do peixe, acabam por afastar qualquer hipótese de isso acontecer. Aqui ficam alguns exemplos. Quanto ao caldo cheio de verduras, é demasiado para mim ahahaha" 

 

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1. Depois de uma análise, não exaustiva, ao teu feed do instagram, deparo-me que raramente publicas fotografias de comida, no entanto, as bebidas têm uma prateleira reservada. Alguma razão em especial?

A razão prende-se com o facto de eu gostar de ser sempre do contra. Não me leves a mal, apenas gosto de saber os dois lados de cada história e tirar as minhas ilações a partir desse conhecimento. Não gosto de simplesmente seguir o «rebanho» só porque sim. Acho que devemos ter poder auto-crítico e consciência dos nossos valores e ideais para fazermos as coisas. Este é só mais um exemplo disso, enquanto toda a gente coloca fotos de comida eu prefiro colocar de bebida, afinal faz parte da refeição e da vida social.

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2. Hoje em dia, todos pensam que são nutricionistas porque lêem umas coisas na internet e se alimentam de forma saudável, outros pensam que são fotógrafos só porque tem uma máquina toda xpto. Como encaras esta realidade de não estar cada macaco no seu galho, que infelizmente cada vez é mais crescente? Sentes que isso pode estar a acontecer na tua área de formação?

Acho que devemos fazer uma instropeção sobre este assunto. Tal como em cada profissão há bons e maus profissionais, e há também aqueles que parecem ter nascido com um «dom» para determinada área embora trabalhem noutra completamente diferente. Não estou com isto a defender ninguém, mas como tudo na vida, podemos ouvir um conselho de um amigo sobre determinado assunto e ele resultar, como também pode acontecer exatamente o oposto. No caso dos nutricionistas acontece isso, existe muita gente que lê artigos e vai experimentando as coisas e acaba por influenciar outros a seguir o seu exemplo, mas esquecemo-nos que se algo correr mal não temos conhecimento suficiente para resolver a questão. Os profissionais porque estudaram para isso e investiram dinheiro para saber cada vez mais da sua área, são capazes de resolver os problemas e aconselharem da melhor maneira as pessoas, porque cada uma é diferente, seja geneticamente como a nível de comportamento e possibilidades, logo é necessário um «jogo de cintura» para cada pessoa e condição.
No caso dos fotógrafos acaba por acontecer o mesmo, malta que tem um poder de investimento maior e que graças a isso consegue melhores resultados mas que depois pecam na questão técnica, na resolução perante as dificuldades, como por exemplo: se a máquina falhar nalguma coisa, ou a objectiva não funcionar, como fazer o trabalho? Conheço muita gente que fotografa em automático porque não sabe usar manual, eu apenas uso manual, se algum dia o foco me falhar ou o software da máquina bloquear nalguma coisa tenho de ser capaz de entregar o trabalho na mesma. E depois vem a parte da edição, aquela que muita gente se esquece. Não é só chegar, tirar as fotos e pronto. Há todo um trabalho de escolha das melhores fotos e consequente edição que por vezes leva mais horas do que o fotografar em si. Acaba por ser um trabalho importantíssimo, quase tanto como o acto de fotografar.

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3. Se te pedisse para ficares responsável por um Cozinhar com o que elegerias e porquê?

Tenho de admitir que sou um apaixonado por pratos, de carne. Claro que não gosto de toda a carne, e por vezes, até prefiro um bom peixe. Mas, na maioria da vezes, opto sempre por um prato de carne. Atualmente tenho consumido bastante frango, e gostaria de talvez fazer algumas experiências com frango e diferentes acompanhamentos (fruta, leguminosas, hidratos diferentes do arroz e batata), além das diferentes utilizações que podemos dar ao frango, desde pasta de frango, salgados de frango, etc.

 

4. Sei, por fontes fidedignas (rindo), que te tens dedicado a fotografar comida, quais as dicas que nos deixas?

É verdade, nos últimos tempos tenho fotografado bastantes pratos de comida, desde o prato principal à sobremesa ou mesmo a sopa, juntamente com as entradas. São diferentes restaurantes, logo as receitas vão mudando assim como os acompanhamentos e o cenário.Quando fotografo comida adoro que o elemento humano esteja presente, seja uma mão ou o empregado a entregar a comida, com o prato focado e o resto em bokeh. Este aspeto, a mim, dá-me uma sensação de conforto, algo mais intímo mais fácil de relacionar o cliente com o prato apresentado.
Agora para quem gosta de fotografar a comida, os pratos que faz, existem algumas dicas importantes. A mais importante é a luz, precisas de uma boa luz para fotografar e conseguires aquelas cores bem vivas. Em seguida a composição, colocar o prato com elementos que fazem parte do mesmo ou mesmo com os talheres, fazer um contraste entre o mesmo e o local onde vai ficar apoiado, cores semelhantes. A última é a procurar uma perspectiva diferente, fazer várias experiências com a luz e com a máquina, procurando diferentes ângulos.

 

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5. Ofereço-te agora um espacinho para saber a tua opinião. Sobre o quê? Ora bem, sobre este meu espaço dedicado às minhas aventuras culinárias.Não te intimides, sê sincero!

Sabes perfeitamente que adoro ver os teus cozinhados e as coisas que fazes. O entusiasmo que colocas e transmites quando fazes algo é maravilhoso. Acabo sempre com vontade de comer o que vais colocando no teu blogue e no teu Instagram. Em verdade, qualquer dia tenho de experimentar algumas das receitas e ver se consigo fazer tão bem quanto tu.