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Cozinhar com

Venez j'vais vous aider. On descend et hot c'est parti - Amélie Poulain

À Conversa com (Rita Da Nova)

O estaminé Conversas está aberto! Mesmo à hora certa, àquela hora em que nos é permitido juntar o pequeno-almoço com o almoço e chamar-lhe de brunch. Desta vez um brunch de palavras, para fugir um bocado à rotina, como Rita tanto gosta. Entrou, disse bom dia, sentou-se à mesa junto à janela, fez um instastories mencionando o local onde se encontrava mas, desta vez não pediu nada... Foi-lhe servido de forma espontânea um desafio para abrir o apetite seguindo-se cinco perguntas com um empratamento bem diferente. Para sorte deste estaminé, não hesitou em aceitar o banquete e "fez-lhe a folha" em três tempos. No final... agradeceu o convite e, despedindo-se carinhosamente, saiu. Deste lado fica a vontade de que um dia esta Conversa se transporte para um espaço físico, dos tantos que a Rita conhece Lisboa fora.

 

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Instagram (@ritadanova)
Blogue (ritadanova)

 

 

O desafio foi fotografar algo que respondesse à pertinente questão da Hannah, de muita gente, e agora da Rita... WHO AM I?  

 

"Eu sou uma vontade imensa de partir e conhecer o mundo.
De estar onde nunca estive e de absorver tudo.
De coleccionar histórias para depois contar"

 

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1. Posso dizer que o hashtag #oslivrosdarita, já me levou a fazer escolhas bem acertadas, tal como já te confidenciei. E quanto a livros de cozinha? Tens, dás-lhes uso ou és mais #nãovouseguirinstruções?

Isto vai soar-te estranho, mas não acredito em livros de cozinha. Pelo menos não naqueles antigos, que nos habituamos a ver nas casas onde passamos a infância. O meu grande livro de cozinha é a minha Avó - foi ela quem me ensinou a cozinhar e quem me confidencia, ainda hoje, os seus maiores segredos. Não tenho o hábito de comprar livros de receitas, nem de as seguir. Normalmente dou uma olhadela na receita que quero fazer e aprendo-a rapidamente. Depois é só fazer os ajustes necessários para que se torne só minha.

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2. Sendo tu, tal como eu, uma menina caseira (assumida), o que é que em tua casa tem que ser obrigatoriamente, refiro-me a comida, caseiro? 

Granola. Aprendi a fazê-la da forma mais saudável possível e raramente compro. É uma das coisas que mais gosto de comer, com iogurte ou apenas à mão (como se de amendoins se tratasse), mas infelizmente não há assim tantas granolas saudáveis à venda. Ultimamente tenho ido a uma coisa chamada Brunch do Mundo (@brunchdomundo) - duas raparigas organizam brunches dedicados a cada um dos continentes e no final vendem granolas como souvenir. É das poucas que consigo trazer para casa porque sei que são saudáveis e caseiras. 

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3. Quem te acompanha sabe bem que “nunca vais ser uma blogger a sério”, por variadíssimas razões, que nos vais mostrando com muito(a) humor/verdade/sarcasmo (riscar o que não interessa). Pergunta para exame: defina “blogger a sério” e explique sucintamente as diferenças entre Rita e blogger a sério. 

Eu prefiro dizer que digo que nunca vou ser uma blogger a sério com humor, que é como gosto de ver a vida. Nunca quis ser blogger porque toda a gente é, mas sempre tive uma vontade enorme de partilhar as coisas de que gosto com os outros. Durante um tempo, o Instagram bastou-me para mostrar as coisas da forma como as vejo. Só que sentia falta de escrever e, por isso, reactivei um blog antigo que tinha sobre viagens e comecei a alargar os temas. Nisso acho que não sou muito diferente das outras bloggers de comida ou lifestyle, mas gosto de acreditar que a maneira como escrevo me diferencia das “bloggers a sério”, aquelas que vivem do blog. Outra coisa em que acho que sou diferente é na vontade genuína que tenho de conversar com quem me lê, um pouco como fazes aqui, com estas conversas. Eu gosto de responder aos comentários que me deixam, às perguntas que me enviam, às sugestões. Para quê ter um blog se ele é unilateral?

 

4. Tal como dizes sobre as tatuagens, certamente também tens comidas que te marcaram porque estiveram presentes em momentos importantes da tua vida, da tua história. Quais e a que momentos estão associadas?  

Assim de repente, e sem pensar muito, há três momentos da minha vida que associo à comida.

O primeiro são as tardes de infância passadas com a minha Avó, no trabalho dela. Ela era assistente num consultório médico e desde pequena que a acompanhava. Na hora do lanche eu comia sempre um iogurte natural com duas colheres de açúcar porque gostava da textura do açúcar misturado no iogurte. Comia na varanda, a olhar para os carros dos bombeiros do quartel que ocupava o rés-do-chão do prédio.

Depois, alguns anos mais tarde, quando conheci o meu pai pela primeira vez, ele levou-me a jantar fora e comeu salmão grelhado com molho de manteiga. Eu tinha nove anos e nunca tinha comido salmão e desde então que é uma das minhas comidas favoritas.

Por fim, existem os caracóis doces da boulangerie Du Pain et des Idées, que comi em Paris na primeira viagem que eu e o Guilherme fizemos juntos. Foi um momento muito especial, porque ficámos sentados numa mesa lá fora, abrigados por um toldo enquanto chovia. Nunca mais me vou esquecer deste momento e, sempre que vamos a Paris, fazemos questão de passar por lá. 

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5. Não podia acabar esta Conversa sem te dizer que gosto muito da história que tu e o Guilherme mantêm - É suposto ser assim? Fazer de vós um livro que gosto muito de ler?. Mas a verdade é quase essa. Já “obriguei” amigas a lerem a vossa história do Jogo do Sério, seguindo-se a minha afirmação “Também sou muita boa nesse jogo”, como quem diz “Vedes? Este jogo menosprezado pode muito bem ser útil”. Posto isto, peço-te que completes (até pode ser uma lista de coisas) a frase: Morrerei estúpida se..  

Tão querida, muito obrigada! É bom saber que a nossa história é tão interessante para os outros como é para nós. A verdade é que o Guilherme fez-me acreditar no amor a sério, no amor que existe para fazer bem e não para destruir. Por isso, morrerei estúpida se não continuar a aproveitar esta sorte tão grande que me calhou e a visitar o mundo todo na companhia dele. 

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À Conversa com (Carmo Sousa Lara)

Carmo Sousa Lara (aqui) entre muitas outras coisas, tem um nome sonante e um sorriso contagiante. Segundo uma rápida pesquisa pelo mundo cibernético consegui saber que ao nome Carmo estão associadas características como: meiga, sociável e de trato fácil. E não é que é verdade? Depois de lereis esta Conversa facilmente as tereis identificado (estas e muitas mais, tal como eu o fiz). Também ireis ficar a conhecer a história da relação da Carmo com a comida, uma bonita história - daquelas com um final feliz! Feliz. É este Estefânia, é este o adjetivo que descreve esta Conversa! 

 

Transmite como gostarias que as pessoas vissem a nutrição:  

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Carmo SL 2.10

   

Deixa-me dizer-te, em primeiro lugar, que é uma alegria enorme poder estar aqui “À Conversa” contigo, obrigada pelo desafio, espero de coração poder estar à medida. Depois, deixa-me relembrar o quanto gosto do teu nome bonito.

 

Gostaria que se olhasse para a nutrição como ela é: um processo natural das nossas vidas! Gostaria que a nutrição, a alimentação não fossem uma moda como é a roupa ou os ginásios onde vamos, as músicas que se ouvem, os penteados que se escolhem. A alimentação faz parte da nossa saúde e do nosso bem estar, a todos os níveis. Todos nós somos seres únicos... Mais parecidos numas coisas e muito diferentes noutras. Sou muito resistente a fórmulas generalizadas e aplicadas igualmente a todos, não pode ser assim. Acho que é muito mais importante a nossa cultura virar-se para o "eu" num caminho de descoberta da nossa identidade enquanto pessoas, o nosso desenvolvimento, a nossa história, e perceber bem como aprender que a nutrição é uma condição que nos é natural, comemos para não morrer, e que comer é bom e faz parte de nós. Aprendermos a fazer escolhas saudáveis e que isso é bom, aprender que o nosso corpo pede o que precisa e que por isso temos que também aprender a respeita-lo a escuta-lo.  Aprender mais sobre os alimentos, a sua riqueza, em vez de crescermos obcecados com medidas, com tamanhos, com números de calças e com estériotipos que muitas vezes nos fazem tão mal e provocam um caminho contrário ao natural, de prisão, em que a comida passa a ser um bicho papão, que quase que nos faz mal. Vivemos numa sociedade que pressiona muito, impõe muito, eu sinto, senti isso na pele, desde muito miúda, e por isso, desenvolvi uma má relação com a comida.
A comida é boa! Não está cá para nos fazer mal, muito pelo contrário.
Gostaria que houvesse mais tolerância, compreensão, um mundo menos manipulador e que entendêssemos que talvez seja preciso por vezes mudar o foco, desmistificar algumas questões e re-centrar no que é realmente essencial, fazermos boas escolhas, acreditarmos em nós.
  

 

1. A organização europeia de defesa dos consumidores (BEUC) publicou o mês passado um relatório sobre a publicidade a alimentos de má qualidade nutricional utilizando mascotes. Segundo a organização, a utilização destas mascotes, muito persuasivas para encorajar o consumo de produtos com excesso de sal, açúcar e gorduras em crianças, deve ser limitado. Agora pergunto, tendo tu um mini Manel em casa, como é que ele, e consequentemente tu, lidas com essa publicidade?  

Em relação ao tópico desta pergunta, ainda não é um problema muito grande cá por casa, mas sublinho, ainda! Sempre escolhemos os produtos cá de casa, pelo produto em si, e não pelas “mascotes” associadas a eles. Nunca valorizámos isso, e para já o Manuelzinho também não liga muito (mas sei que a tendência à medida que vão crescendo é ligarem! Seguirem as modas e as coisas que os amigos fazem ou têm, tem que se aprender a contrariar para não ficarmos todos vítimas do consumismo!). Nunca tentámos introduzir um alimento por ser do boneco “X” ou “Y”. Liga mais às mascotes associadas a desenhos animados, como a Patrulha Pata e afins, mas tentamos sempre evidenciar produtos não alimentares ligados a esses temas (toalhas, roupas, brinquedos, até os pratos ou copos para as refeições, mas não a comida...). Há uma regra muito importante cá em casa: Não se brinca com a comida. Essa é uma dádiva enorme à qual temos de estar sempre gratos e valorizar.

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2. Apercebi-me que tens um mini M. muito curioso, inclusive na cozinha. Estou certa? Será que herdou o gene culinário do outro Manel da tua vida?

Que engraçado essa mensagem passar sem eu ter dado por isso!! Sim, claramente! Cá em casa temos um grande Chef, filho e neto de grandes cozinheiras. É ele, meu marido, que cozinha e trata da confeção dos alimentos, na maioria das vezes, eu fico-me pelas compras. Ao princípio era quase que ofensivo para mim, sendo eu a Mulher da casa, não cozinhar... Era politicamente correto assim o fazer. Depois apercebi-me que não só o Manel (marido) era muito mais talentoso do que eu, como tinha muito mais gosto em fazê-lo do que eu. Não há quem não venha cá a casa que não fiquei rendido com os seus pratos, as suas sobremesas.... O nosso mini M parece sem dúvida querer seguir todas as pegadas do Pai, da Avó e da Bisavó. Já pede muitas vezes para ajudar, vai buscar uma cadeira e trepa para conseguir estar ao nível da bancada. Gosta de se encarregar em tarefas e já as faz com muito cuidado e talento. Já fez pizzas com a Avó I, bolos com o Pai e o jantar cá de casa. Interessa-se mesmo genuinamente. 

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3. E quanto a ti Carmo, sabemos que és acompanhada pela Clínica de Nutrição de Lisboa, como está hoje a tua relação com a comida? Qual o antes e o depois?

Falei-te antes de receber as tuas perguntas de como eu poderia não ser um bom exemplo para os leitores. Sabes? Tenho uma vida cheia de histórias muitas vezes às avessas com a comida. Hoje em dia, tenho muitos mais cuidados... Fui aprendendo muitas coisas em relação à minha forma de estar com a comida, com a minha amiga Mafalda Rodiles, que desmistifica muitos tabus em relação à alimentação, às modas, às dietas, no seu programa “seja feliz sem dietas”, que fiz no ano passado, onde perdi 2kg, sem dietas... Desde os meus 13 anos, ou seja há 17 anos, que ando sempre em guerra com a comida, com o meu corpo, mas procuro a paz e sobretudo o equilíbrio certo para mim, hoje sei que não é uma coisa que se resolve da noite para o dia, mas sim, é um caminho longo a percorrer, onde muitas vezes, é um caminho de autoconhecimento, de cura, de perdão, de recomeço. Temos várias vezes, a tentação de nos deixarmos levar pelas modas, que são perigosíssimas. Penso que temos de saber ouvir muito mais o nosso corpo, antes de ouvirmos os palpites dos outros e a escravidão das modas e do “tem que ser” ou “assim é que é” de todas as tendências alimentares. Todos temos problemas, e a questão é que muitas vezes são diferentes uns dos outros e não são “tratáveis” da mesma forma, este é para mim o ponto mais importante e ao mesmo tempo, problemático da nossa cultura. É fazer-se uma fórmula mágica e aplicá-la a todos. Não somos todos iguais. Sempre tive problemas emocionais e compulsivos com a comida, hoje não tenho medo de assumir isso, porque sei que dizê-lo ajuda-me. A Clínica Nutrição de Lisboa e a sua equipa fora de série, foram estes Anjos que apareceram na minha vida numa fase difícil. É muito fácil perdermos o norte depois de sermos Mães, ficamos desreguladas, a nossa vida vira de pernas para o ar, deixamos de ter tempo para nós, a prioridade passam a ser eles e no meio de todo este furacão perdi-me. Engordei ainda mais do que já estava, sentia-me muito mal, estava desamparada e frustrada, sentia que eu funcionava ao contrário de todas as Mães super-perfeitas, que ficam magras e têm filhos santos (e muitas vezes ainda o sinto... Talvez seja o tal problema das modas e dos generalismos, é muito mais fácil e giro fazer parecer que a nossa família é perfeita e cor de rosa.) A CNL apareceu na minha minha, e para sempre lhes estarei eternamente grata por tudo o que têm feito por mim. Comecei por fazer tratamentos estéticos que fui partilhando no blog, nomeadamente às estrias (que era um caso muito antigo e avançado), tive resultados incríveis, esse foi o gatilho para me voltar a encontrar. Comecei a sentir-me melhor e o meu corpo automaticamente a desinchar com a boa onda que estava a criar, só pelo simples facto de estar a cuidar de mim. Depois fiz um tratamento inovador, o único em Portugal aprovado pela FDA Americana, chamado coolsculpting, é uma lipoaspiraçãp não cirúrgica, que destrói a gordura localizada. Juntamente com o tratamento que fiz a 8 zonas (barriga e flancos) fiz um plano alimentar proposto pela clínica e ao todo até aqui foram 5 kg e muitíssimos centímetros a menos. Uma mudança inacreditável e maravilhosa. Voltei a encontrar-me e a sorrir para mim mesma. Mais à frente, comecei a fazer o acompanhamento nutricional com o Dr. Cláudio Rodrigues, que é um querido e me ensinou muita coisa. Traçou-me um plano, não gosto de lhe chamar dieta, passei a ficar resistente a esse nome, e agora aqui estou. Foram apenas 5 kg ao todo que perdi para os 15 kg a mais que têm que ir, mas já foi um excelente começo, e se não tivesse sido com a força e o empurrão não só desta clínica como do carácter excecional humano de todas e cada uma das pessoas que lá trabalham e lidaram comigo (Diana Formozinho Sanchez cuja a alegria e profissionalismo são fora, mas mesmo fora do comum, a Joaninha, a Ana, a Dora, a Rita, que são as fisioterapeutas mais atentas, cuidadosas e doces, estão sempre genuinamente preocupadas connosco.... O querido e fantástico Dr. Pedro Queiroz, autor do livro “Emagreça onde mais precisa” bem como fundador da Clinica Nutrição de Lisboa, o meu querido Nutricionista Dr. Cláudio Rodrigues). Sem esta equipa de sucesso, não teria conseguido. A eles um abraço bem apertado e um beijinho do tamanho do mundo, por me ajudarem tanto. 

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4. És fotógrafa de profissão, portanto, calculo que em dias mais atarefados, tenhas que ter contigo alimentos “on the go”. Quais as opções?

É mesmo muito complicado... Dias em que tenho sessões, casamentos, batizados... Ando numa correria mesmo grande, tento levar alguma coisa prática e rápida de comer na carteira, mas muitas vezes não tenho essa “coisa” prática nem saudável em casa. Quando vou ao supermercado, por vezes esqueço-me de comprar snacks ou alternativas mais saudáveis para esses dias, confesso... Acho tão difícil de encontrar alternativas que sejam boas, light, saudáveis e ao mesmo tempo práticas de levar. Tenho que ter qualquer coisa muito rápida e fácil de comer, porque a logística nem sempre permite que me sente e faça uma pausa com talheres. Nos dias mais longos como nos casamentos, acabo por não comer nada até à hora do jantar (o que é péssimo para a saúde), depois já estou um monstrinho de fome e a cabeça já só quer rápido e o que houver, já nem pensas que tens que filtrar tal não é o desespero de fome. A solução passa claramente, por uma organização maior em casa e no supermercado, descobrir snacks, frutas, e outros produtos que sejam só tirar do bolso e comer, assim posso fazê-lo enquanto trabalho e com tranquilidade. Passa também por tentar confecionar ao máximo em casa e levar, para evitar passar nas bombas de gasolina e comprar “porcarias”. Há uma coisa da qual não prescindo na minha mochila, ÁGUA, muita água! E geralmente, os iogurtes magros. Sei que com um iogurte na mochila já não chego ao “desespero” da fome, faço uma pausa rápida antes ou depois de fotografar, assim o meu corpo e mente já ficam mais tranquilos e saciados. Peças de fruta são boas, gelatinas seriam se não ficassem todas derretidas, bolachas são muito práticas mas tenho que saber muito bem o tipo de bolachas.

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5. E agora uma pergunta que não pode deixar de ser feita: porquê que escolheste e seguiste Fotografia na tua vida?

A Fotografia é uma paixão muito antiga na minha vida. Andava cheia de vontade de escrever sobre isto e fico tão feliz que me perguntes, obrigada!
A minha Mãe andava sempre de Canon atrás (não sei se ela sabe, mas creio que foi ela que semeou em mim este bichinho). Somos 5 filhos, e a minha Mãe a todos nós fez mais que 1 álbum desde que nascemos. Podem achar 2 álbuns por criança pouco, mas na altura 1 álbum ia com fotografias (analógicas logicamente) desde os zero aos 5 depois, tudo montado à mão, um segundo álbum dos 5 aos 12/13... Uma coisa género primeira e segunda infância. Era tão diferente do agora, haviam rolos, fotografias limitadas, que só as viamos por vezes meses depois de as tirarmos, escolhiam-se as melhores para os tais álbuns, e esses repousavam até às próximas fotografias chegarem. Para construir 1 álbum levavam-se meses, ou anos!
Lembro-me de ver a minha Mãe a fazer os álbuns, a ter que ir revelar e buscar fotografias com a mesma responsabilidade como que tinha de ir ao supermercado ou à sapataria comprar-nos sapatos novos para uma festa, era um assunto sério!
Quando começámos a ter idade já podíamos mexer na máquina e tirar uma ou duas fotografias, muito bem pensadas e planeadas, mas com cautela! Lembro-me dos planeamentos das fotografias em que tirávamos os 5 manos juntos, havia todo um cenário escolhido, posições pensadas, roupa a condizer, penteados, luz, etc.. Em certa fase, detestávamos isto, depois passámos a fazê-lo mais rápido!
Acho que tudo isto me foi entrando na veia. Depois, fui tendo máquinas descartáveis, mais à frente umas mais à séria, uma polaroid que um Tio me ofereceu nos anos, e andava sempre a pedir outras máquinas emprestadas (coisa que não gosto de fazer!).
Cheguei aos 21 anos e fui para Londres, estudar Fotografia.
Infelizmente, não completei os 4 anos de formação, porque enganei-me ligeiramente na escolha do curso, é que lá, ao contrário de cá, há centenas de cursos para todos os gostos, e fui para um curso superior de fotografia analógica em vez de digital que era o que pretendia na altura. Hoje vejo que nada é por acaso e que aprendi muito, aprendi o básico os fundamentos, mas andava desfasada dos meus colegas que era profissionais na coisa e eu andava muitos furos a baixo, perdida. Penei, mas deu-me a estaleca toda que tenho hoje.
Antes de ir para Londres, creio que em 2007, comecei a fazer os meus primeiros trabalhos fotográficos profissionais, sem procurar nem um deles.
As pessoas viam o meu trabalho e ficavam fascinadas, mexiam-se até encontrarem o meu número telefónico e contactavam-me a pedir para lhes fotografar os baptizados dos filhos, netos... E eu lá ia de material emprestado (imagina...!)
Depois quando voltei de Londres, abandonei a minha paixão.... Foi tão estúpido, mas necessário talvez para me construir na pessoa que sou hoje.
Fui tirar o curso e mestrado em Educação de Infância, área que amo e que tem tudo a ver com o que faço hoje (estou muito ligada a bebés, famílias...). Depois de acabar o Mestrado, casei, e pouco depois de ter defendido a minha Tese, descobri que estava grávida. Tive que ficar de baixa, por uma ameaça de aborto, e passei a estar muito tempo em casa, sem trabalho.
Quem me conhece sabe, não sou de me dar quieta! A minha cabeça é muito idiota e o que gosto mesmo é de criar sem limites, sou sonhadora, impulsiva, acredito nas coisas.
Então criei a MU, que virou Mu Blog. Comecei não pela fotografia mas pelo blogue e rapidamente percebi, depois de voltar a agarrar-me aos livros e tutoriais de fotografia que tinha que voltar às minhas raízes, ao meu eu.
Estava desempregada, tinha que trabalhar para sustentar, e agreguei ao blog a minha antiga paixão - A Fotografia!
Foi muito difícil voltar ao mercado quase 10 anos depois, num mercado cheio e quase saturado de bons colegas profissionais, sabia que ia ser um desafio daqueles, mas acredito que com muito trabalho e determinação, tudo se consegue.
Hoje, aqui estou! De agenda fechada, esgotada, com muitas dores lombares de tanto trabalhar, mas muito feliz.
Valeu cada noite curta de sono, cada trabalho sem receber nada, cada dia agarrada ao computador, tudo, todo o meu investimento pessoal e profissional. Vale a pena sonhar, acreditar e trabalhar no duro para chegar onde queremos!

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6. Para finalizar (tough one question), e como a área da Inovação Alimentar é do meu especial interesse, desafio-te a criares um novo produto alimentar adequado aos teus hábitos e preferências alimentares?  

Sou muito apreciadora dos snacks, por ser isso que me faz mais falta. Diria que uma espécie de barritas light com iogurte com alternativas em cima ou recheados... Uns com frutas, cereais, granolas... Outros em modo salgado, por exemplo, com legumes (outra base talvez), tomate e mozarella, presunto, queijo fresco. Possivelmente tudo isto é zero viável! Quiches também em modo light e “on the go”, sacia muito a alma! 

À Conversa com (Márcio Menino)

"Sometimes you just have to wait for the magic to happen in the kitchen. It’s a kind of art actually, the right proportion of spices will give you a dish to fall in love (...) So, it’s better to just let the chef do his work calmly and enjoy the flavour later."

 

Um dia, o Márcio, no seu instagram (@marciomeninoescreveu isto. Chamou-me logo à atenção, porque é realmente o que sinto: cozinhar para quem gosto de modo a que se alegrem as papilas gustativas e cozinhar com calma, isso sim, posso dizer que será uma das minhas maiores virtudes, em tudo na vida! Assim sendo, partindo deste belo extrato de texto, resolvi desafiar o Márcio! Aceitou (sem obrigações, juro!) amavelmente responder a umas quantas perguntinhas, bem como a um desafio, claro está, fotográfico (que tão bem se adequa a ele): fotografa algo, refiro-me a comida, que não gostasse nada, mas que até achasse fotogénico. 
Assim foi, fez-se magia, desta vez não na cozinha, mas aqui, numa simples e agradável Conversa.

 

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O desafio foi cumprido!

"Nas minhas aventuras no mundo da gastronomia já fotografei muita comida, e houve casos em que a foto em si quase me puxava para comer o que ali estava à minha frente, mas o cheiro e o sabor, principalmente do peixe, acabam por afastar qualquer hipótese de isso acontecer. Aqui ficam alguns exemplos. Quanto ao caldo cheio de verduras, é demasiado para mim ahahaha" 

 

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1. Depois de uma análise, não exaustiva, ao teu feed do instagram, deparo-me que raramente publicas fotografias de comida, no entanto, as bebidas têm uma prateleira reservada. Alguma razão em especial?

A razão prende-se com o facto de eu gostar de ser sempre do contra. Não me leves a mal, apenas gosto de saber os dois lados de cada história e tirar as minhas ilações a partir desse conhecimento. Não gosto de simplesmente seguir o «rebanho» só porque sim. Acho que devemos ter poder auto-crítico e consciência dos nossos valores e ideais para fazermos as coisas. Este é só mais um exemplo disso, enquanto toda a gente coloca fotos de comida eu prefiro colocar de bebida, afinal faz parte da refeição e da vida social.

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2. Hoje em dia, todos pensam que são nutricionistas porque lêem umas coisas na internet e se alimentam de forma saudável, outros pensam que são fotógrafos só porque tem uma máquina toda xpto. Como encaras esta realidade de não estar cada macaco no seu galho, que infelizmente cada vez é mais crescente? Sentes que isso pode estar a acontecer na tua área de formação?

Acho que devemos fazer uma instropeção sobre este assunto. Tal como em cada profissão há bons e maus profissionais, e há também aqueles que parecem ter nascido com um «dom» para determinada área embora trabalhem noutra completamente diferente. Não estou com isto a defender ninguém, mas como tudo na vida, podemos ouvir um conselho de um amigo sobre determinado assunto e ele resultar, como também pode acontecer exatamente o oposto. No caso dos nutricionistas acontece isso, existe muita gente que lê artigos e vai experimentando as coisas e acaba por influenciar outros a seguir o seu exemplo, mas esquecemo-nos que se algo correr mal não temos conhecimento suficiente para resolver a questão. Os profissionais porque estudaram para isso e investiram dinheiro para saber cada vez mais da sua área, são capazes de resolver os problemas e aconselharem da melhor maneira as pessoas, porque cada uma é diferente, seja geneticamente como a nível de comportamento e possibilidades, logo é necessário um «jogo de cintura» para cada pessoa e condição.
No caso dos fotógrafos acaba por acontecer o mesmo, malta que tem um poder de investimento maior e que graças a isso consegue melhores resultados mas que depois pecam na questão técnica, na resolução perante as dificuldades, como por exemplo: se a máquina falhar nalguma coisa, ou a objectiva não funcionar, como fazer o trabalho? Conheço muita gente que fotografa em automático porque não sabe usar manual, eu apenas uso manual, se algum dia o foco me falhar ou o software da máquina bloquear nalguma coisa tenho de ser capaz de entregar o trabalho na mesma. E depois vem a parte da edição, aquela que muita gente se esquece. Não é só chegar, tirar as fotos e pronto. Há todo um trabalho de escolha das melhores fotos e consequente edição que por vezes leva mais horas do que o fotografar em si. Acaba por ser um trabalho importantíssimo, quase tanto como o acto de fotografar.

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3. Se te pedisse para ficares responsável por um Cozinhar com o que elegerias e porquê?

Tenho de admitir que sou um apaixonado por pratos, de carne. Claro que não gosto de toda a carne, e por vezes, até prefiro um bom peixe. Mas, na maioria da vezes, opto sempre por um prato de carne. Atualmente tenho consumido bastante frango, e gostaria de talvez fazer algumas experiências com frango e diferentes acompanhamentos (fruta, leguminosas, hidratos diferentes do arroz e batata), além das diferentes utilizações que podemos dar ao frango, desde pasta de frango, salgados de frango, etc.

 

4. Sei, por fontes fidedignas (rindo), que te tens dedicado a fotografar comida, quais as dicas que nos deixas?

É verdade, nos últimos tempos tenho fotografado bastantes pratos de comida, desde o prato principal à sobremesa ou mesmo a sopa, juntamente com as entradas. São diferentes restaurantes, logo as receitas vão mudando assim como os acompanhamentos e o cenário.Quando fotografo comida adoro que o elemento humano esteja presente, seja uma mão ou o empregado a entregar a comida, com o prato focado e o resto em bokeh. Este aspeto, a mim, dá-me uma sensação de conforto, algo mais intímo mais fácil de relacionar o cliente com o prato apresentado.
Agora para quem gosta de fotografar a comida, os pratos que faz, existem algumas dicas importantes. A mais importante é a luz, precisas de uma boa luz para fotografar e conseguires aquelas cores bem vivas. Em seguida a composição, colocar o prato com elementos que fazem parte do mesmo ou mesmo com os talheres, fazer um contraste entre o mesmo e o local onde vai ficar apoiado, cores semelhantes. A última é a procurar uma perspectiva diferente, fazer várias experiências com a luz e com a máquina, procurando diferentes ângulos.

 

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5. Ofereço-te agora um espacinho para saber a tua opinião. Sobre o quê? Ora bem, sobre este meu espaço dedicado às minhas aventuras culinárias.Não te intimides, sê sincero!

Sabes perfeitamente que adoro ver os teus cozinhados e as coisas que fazes. O entusiasmo que colocas e transmites quando fazes algo é maravilhoso. Acabo sempre com vontade de comer o que vais colocando no teu blogue e no teu Instagram. Em verdade, qualquer dia tenho de experimentar algumas das receitas e ver se consigo fazer tão bem quanto tu.