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Cozinhar com

Venez j'vais vous aider. On descend et hot c'est parti - Amélie Poulain

À Conversa com (Márcio Menino)

"Sometimes you just have to wait for the magic to happen in the kitchen. It’s a kind of art actually, the right proportion of spices will give you a dish to fall in love (...) So, it’s better to just let the chef do his work calmly and enjoy the flavour later."

 

Um dia, o Márcio, no seu instagram (@marciomeninoescreveu isto. Chamou-me logo à atenção, porque é realmente o que sinto: cozinhar para quem gosto de modo a que se alegrem as papilas gustativas e cozinhar com calma, isso sim, posso dizer que será uma das minhas maiores virtudes, em tudo na vida! Assim sendo, partindo deste belo extrato de texto, resolvi desafiar o Márcio! Aceitou (sem obrigações, juro!) amavelmente responder a umas quantas perguntinhas, bem como a um desafio, claro está, fotográfico (que tão bem se adequa a ele): fotografa algo, refiro-me a comida, que não gostasse nada, mas que até achasse fotogénico. 
Assim foi, fez-se magia, desta vez não na cozinha, mas aqui, numa simples e agradável Conversa.

 

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O desafio foi cumprido!

"Nas minhas aventuras no mundo da gastronomia já fotografei muita comida, e houve casos em que a foto em si quase me puxava para comer o que ali estava à minha frente, mas o cheiro e o sabor, principalmente do peixe, acabam por afastar qualquer hipótese de isso acontecer. Aqui ficam alguns exemplos. Quanto ao caldo cheio de verduras, é demasiado para mim ahahaha" 

 

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1. Depois de uma análise, não exaustiva, ao teu feed do instagram, deparo-me que raramente publicas fotografias de comida, no entanto, as bebidas têm uma prateleira reservada. Alguma razão em especial?

A razão prende-se com o facto de eu gostar de ser sempre do contra. Não me leves a mal, apenas gosto de saber os dois lados de cada história e tirar as minhas ilações a partir desse conhecimento. Não gosto de simplesmente seguir o «rebanho» só porque sim. Acho que devemos ter poder auto-crítico e consciência dos nossos valores e ideais para fazermos as coisas. Este é só mais um exemplo disso, enquanto toda a gente coloca fotos de comida eu prefiro colocar de bebida, afinal faz parte da refeição e da vida social.

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2. Hoje em dia, todos pensam que são nutricionistas porque lêem umas coisas na internet e se alimentam de forma saudável, outros pensam que são fotógrafos só porque tem uma máquina toda xpto. Como encaras esta realidade de não estar cada macaco no seu galho, que infelizmente cada vez é mais crescente? Sentes que isso pode estar a acontecer na tua área de formação?

Acho que devemos fazer uma instropeção sobre este assunto. Tal como em cada profissão há bons e maus profissionais, e há também aqueles que parecem ter nascido com um «dom» para determinada área embora trabalhem noutra completamente diferente. Não estou com isto a defender ninguém, mas como tudo na vida, podemos ouvir um conselho de um amigo sobre determinado assunto e ele resultar, como também pode acontecer exatamente o oposto. No caso dos nutricionistas acontece isso, existe muita gente que lê artigos e vai experimentando as coisas e acaba por influenciar outros a seguir o seu exemplo, mas esquecemo-nos que se algo correr mal não temos conhecimento suficiente para resolver a questão. Os profissionais porque estudaram para isso e investiram dinheiro para saber cada vez mais da sua área, são capazes de resolver os problemas e aconselharem da melhor maneira as pessoas, porque cada uma é diferente, seja geneticamente como a nível de comportamento e possibilidades, logo é necessário um «jogo de cintura» para cada pessoa e condição.
No caso dos fotógrafos acaba por acontecer o mesmo, malta que tem um poder de investimento maior e que graças a isso consegue melhores resultados mas que depois pecam na questão técnica, na resolução perante as dificuldades, como por exemplo: se a máquina falhar nalguma coisa, ou a objectiva não funcionar, como fazer o trabalho? Conheço muita gente que fotografa em automático porque não sabe usar manual, eu apenas uso manual, se algum dia o foco me falhar ou o software da máquina bloquear nalguma coisa tenho de ser capaz de entregar o trabalho na mesma. E depois vem a parte da edição, aquela que muita gente se esquece. Não é só chegar, tirar as fotos e pronto. Há todo um trabalho de escolha das melhores fotos e consequente edição que por vezes leva mais horas do que o fotografar em si. Acaba por ser um trabalho importantíssimo, quase tanto como o acto de fotografar.

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3. Se te pedisse para ficares responsável por um Cozinhar com o que elegerias e porquê?

Tenho de admitir que sou um apaixonado por pratos, de carne. Claro que não gosto de toda a carne, e por vezes, até prefiro um bom peixe. Mas, na maioria da vezes, opto sempre por um prato de carne. Atualmente tenho consumido bastante frango, e gostaria de talvez fazer algumas experiências com frango e diferentes acompanhamentos (fruta, leguminosas, hidratos diferentes do arroz e batata), além das diferentes utilizações que podemos dar ao frango, desde pasta de frango, salgados de frango, etc.

 

4. Sei, por fontes fidedignas (rindo), que te tens dedicado a fotografar comida, quais as dicas que nos deixas?

É verdade, nos últimos tempos tenho fotografado bastantes pratos de comida, desde o prato principal à sobremesa ou mesmo a sopa, juntamente com as entradas. São diferentes restaurantes, logo as receitas vão mudando assim como os acompanhamentos e o cenário.Quando fotografo comida adoro que o elemento humano esteja presente, seja uma mão ou o empregado a entregar a comida, com o prato focado e o resto em bokeh. Este aspeto, a mim, dá-me uma sensação de conforto, algo mais intímo mais fácil de relacionar o cliente com o prato apresentado.
Agora para quem gosta de fotografar a comida, os pratos que faz, existem algumas dicas importantes. A mais importante é a luz, precisas de uma boa luz para fotografar e conseguires aquelas cores bem vivas. Em seguida a composição, colocar o prato com elementos que fazem parte do mesmo ou mesmo com os talheres, fazer um contraste entre o mesmo e o local onde vai ficar apoiado, cores semelhantes. A última é a procurar uma perspectiva diferente, fazer várias experiências com a luz e com a máquina, procurando diferentes ângulos.

 

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5. Ofereço-te agora um espacinho para saber a tua opinião. Sobre o quê? Ora bem, sobre este meu espaço dedicado às minhas aventuras culinárias.Não te intimides, sê sincero!

Sabes perfeitamente que adoro ver os teus cozinhados e as coisas que fazes. O entusiasmo que colocas e transmites quando fazes algo é maravilhoso. Acabo sempre com vontade de comer o que vais colocando no teu blogue e no teu Instagram. Em verdade, qualquer dia tenho de experimentar algumas das receitas e ver se consigo fazer tão bem quanto tu.

À Conversa com (Bárbara Oliveira)

A Bárbara tem a sensação que nasceu com o gene DRD4-7R, responsável por determinar se alguém prefere a comodidade de casa ou a urgência de viajar, assim sendo, de forma muito amável, também se aventurou a responder a umas quantas perguntas e ao desafio por mim proposto, deixando o meu blogue, tal qual um dos seus objetivos com o mundo, "um bocadinho melhor". 
O dia mundial do livro foi ontem, mas só hoje é que vos presenteio com esta leitura que certamente vos fará viajar! Afinal de contas não é isso que as boas leituras nos fazem?

 

O desafio foi ilustrar através de uma fotografia a seguinte frase de Antoine Saint Exupéry: 

 

“Sou um pouco de todos que conheci, um pouco dos lugares que fui, um pouco das saudades que deixei e sou muito das coisas que gostei"  

 

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Obrigada por este desafio! É mesmo verdade que a Bárbara de hoje é isso tudo. A Bárbara que hoje responde às tuas perguntas “construiu-se” em todas as experiências que teve até agora. A frase começa com “Sou um pouco de todos os que conheci” e essa é talvez a maior das verdades, aprendo muito com cada pessoa que se cruza comigo. Depois claro, os lugares têm sempre algo a ensinar também. E as saudades então…ai as saudades! As saudades da “minha realidade” e que valorizo sempre de outra forma quando me distancio dela durante algum tempo. Por isso sou isso tudo! É uma frase com a qual me identifico bastante, pelo que escolhi tirar uma fotografia em que eu apareço a olhar para o horizonto com o pôr-do-sol (desculpa-me o clichê por favor!) porque é de facto o que representa para mim a “absorção” de tudo o que vivo. Tirei esta fotografia no meu café favorito da Ilha de Moçambique que se chama “Rickshaw”. Rickshaw (riquexó em Português) é um meio de transporte e não tivesse eu uma certa paixão por meios de transporte, que achei que poderia ser uma boa representação dos lugares que já fui e que me “construíram”. Bem como, por ser um transporte antigo consegue-me dar um sentimento de nostalgia, ou de saudade, pelo que achei que seria um bom cenário para ilustrar a frase que me pediste! Espero que gostes!

 

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1. Notei que umas das imagens que te poderá definir, para além de todas as tuas incríveis fotografias de viagens – vão ver tudinho no instagram @wanderandnutrition! – é a de uma fruta – O Ananás! Como ambas sabemos, é bom para a digestão porque contém uma enzima, a bromelaína, que tem influência positiva nesse mesmo processo. Agora pergunto-te, porquê o ananás? Poderíamos dizer, metaforicamente falando, que tal como esta característica do ananás, imagem que atribuis ao teu blogue Wander and nutrition é uma forma de “digerires” tudo o que vais vivendo (e vendo) – tanto de bom, como de menos bom – nas viagens que fazes, inclusive a que decorre neste momento por Moçambique?

Querida Estefânia, engraçado pois nunca tinha visto as coisas nessa perspetiva! Mas faz de facto muito sentido. Conseguir digerir tudo o que vivo ao longo das viagens e das experiências que vou vivendo é algo essencial para poder selecionar aquilo que devo ou não reter para mim. Tal como no processo da digestão, em que o nosso organismo seleciona aquilo que vai absorver e aquilo que vai deitar fora, também nós deveríamos ter a capacidade de reter aquilo que nos aumenta enquanto pessoas e “deitar fora” aquilo que nos pode tornar mais pequenos, deixar mais frágeis ou que tira o melhor de nós. Todas as experiências e as fases da vida que vivemos, de uma forma ou de outra, deixam-nos mais cheios de saberes e emoções que nos vão completando e vão formando a pessoa que somos e que queremos ser.
A imagem do ananás foi selecionada por ser um alimento colorido e apelativo: a sua grande coroa verde, que nos pode lembrar que devemos andar sempre de coroa e de cabeça erguida no nosso dia-a-dia. A sua casca rija, que nos recorda a força com que sempre devemos permanecer, mas que envolve um fruto doce e com uma textura muito especial e única, lembrando-nos também que é assim que devemos ser: doces, especiais e únicos.

 

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2. Duas das vinte dicas que dás para sermos saudáveis é: “Ri-te. Ri-te muito” e “Não te compares com os outros”. Na tua opinião, achas que a sociedade atual está a caminhar no caminho certo – que será colocar em prática algumas das dicas faladas – ou pelo contrário – está a tornar-se cada vez mais sisuda e sem individualidade?

Acho muito que os conceitos de saúde e felicidade estão inegavelmente interligados. Pessoas felizes e positivas são, normalmente, mais saudáveis. E mesmo que a vida lhes pregue uma partida, conseguirão reagir e atuar melhor se o seu estado-espirito for positivo perante a vida. Também a saúde atua na felicidade das pessoas, será até mais fácil ver neste sentido. Uma pessoa com saúde acaba por ser uma pessoa mais feliz, mais grata por estar capaz de viver o seu dia-a-dia e por poder partilhá-lo com as pessoas que mais ama, na sua melhor condição.
Gosto de pensar que somos todos diferentes, e que num todo, em sociedade não haja um caminho 100% certo que estejamos todos a seguir. Desde a origem do ser humano, tenho a certeza que já houve muitas modas, muitas tendências e a verdade é que todos nós caminhamos, nem que seja um pouco, para essas modas e tendências. É também uma estratégia, por vezes inconsciente, de nos sentirmos parte da sociedade, o que não significa necessariamente que nos estejamos a tornar pessoas sem individualidade. Infelizmente, acho que muitas vezes somos atacados por situações que nos deixam mais frágeis e com uma autoestima mais baixa, levando-nos a compararmo-nos com outras pessoas que estejam em situações que nós consideramos melhores que a nossa. A verdade é que crescemos muito a comparar-nos com ou outros o que acaba por nos deixar com o foco no exterior e não no nosso interior. Devemos ter a capacidade de reconhecer que nunca sabemos, nem vemos o todo de uma pessoa e devemos saber que o nosso foco deve ser em nós próprios, isto é, não devemos querer ser iguais ou melhores que X pessoa, devemos sim querer ser melhores do que aquilo que fomos até agora. Só focando em nós próprios conseguimos alguma mudança sustentável e é isso que quero transmitir quando digo “ Não te compares aos outros”. 

 

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3. Dizem que “rir é um dos melhores remédios”, mas a prática de atividade física regular e uma alimentação equilibrada, saudável e variada, também. Tendo tu, pais professores de educação física, certamente esta premissa sempre foi incutida. Fala-nos um pouco sobre a tua relação com o exercício e a alimentação saudável.

É verdade, sou a filha dos “professores fixes”. Os professores de educação física são sempre os “mais fixes”, não é verdade? Cresci sempre muito ligada à atividade física e não me lembro de um ano da minha vida em que não tivesse praticado algum desporto. Comecei pela ginástica, que foi e é uma grande paixão. Mais especificamente a ginástica acrobática que pratiquei desde os meus 6 anos até ter sido obrigada a desistir com 16 anos por estar a ter notas decadentes no ensino secundário. Ao mesmo tempo que fazia ginástica acrobática cheguei a fazer Ballet, Hip-Hop, Trampolins, Tumbling, Patinagem Artística, Surf e ainda joguei ténis (muito provavelmente estou-me a esquecer de algum..). Na escola , as aulas de educação física eram as minhas favoritas e foi sempre o que me ajudou a subir a média.
Sempre acompanhei também o meu pai em caminhadas pela Serra de Sintra, passeios de bicicleta, voos de parapente, experiências de mergulho, que ele organiza e participa desde que me lembro! Sempre fui muito motivada pelos meus pais para praticar atividade física.
Em relação à alimentação saudável a história é outra (risos). A minha mãe nunca foi uma grande cozinheira então as nossas refeições sempre tiveram de ser muito… digamos “práticas” (aka alimentos já preparados ou refeições daquelas já prontas). Posto isto, o meu perfil nutricional nunca foi o melhor. Até há pouco tempo sempre fui assim mais para o “fofinha”. Eis que comecei a licenciatura em Ciências da Nutrição e a situação começou a melhorar, aliás, a situação mudou por completo. Não fiz uma “dieta para emagrecer”, simplesmente alterei o meu estilo de vida: comecei a alimentar-me corretamente e mantive sempre a prática de atividade física. Antes de vir para Moçambique frequentava um ginásio (que adoro e tenho imensas saudades), mas como aqui não há ginásios tive de me motivar para manter uma prática (quase) diária de exercício. Corro pela Ilha de Moçambique e faço exercícios localizados no telhado de minha casa com uma vista incrível sob este pedaço de terra.

 

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4. Em Portugal vivem-se tempos de “aderência a modas”, nomeadamente à moda dos considerados “superalimentos”, produtos que grande parte do mundo da nutrição (e não só) nos últimos tempos tem andado a pregar. Em Moçambique, acredito que não haja essa aderência - nem pouco mais ou menos – por indisponibilidade dos produtos, capacidade financeira para gastar nisso, e se calhar mesmo, por desconhecimento. Uma das coisas que dizes fazer é “desenrascar com os alimentos simples”. Assim sendo, dou-te a escolher: alimentação “keep it simple” ou “aderir às modas superalimentosas”. Porquê?

Eheheheh, fizeste uma boa pesquisa de tudo o que andei para aí a dizer Estefânia! Então, primeiro há que saber o que é um superalimento. Segundo o que aprendi, o termo Superalimento é utilizado para descrever alimentos com alto valor nutricional e com vários benefícios para a saúde, contudo não passam de alimentos simples e naturais também, talvez com um acesso mais restrito. Mas este acesso também depende muito de onde estamos, não é? Por exemplo, aqui em Moçambique não tenho acesso a clorelas, spirulinas ou açai. Mas por outro lado, tenho acesso a Moringa! Quem já ouviu falar da Moringa? Estão algumas informações no meu blog: https://wanderandnutrition.wordpress.com/2017/02/14/moringa/. Acredito que daqui a uns tempos vá ser também um dos alimentos da “moda” e aqui é algo já muito usado e consumido. Tal como o famoso óleo de coco, que agora está na berra. Aqui é uma das gorduras mais consumidas, pois o seu valor económico é bastante acessível comparando com outras gorduras como o azeite.
Quero com isto dizer que não sou “contra” aos alimentos da moda, desde que sejam consumidos com moderação (como tudo, correto?) e sabedoria. Por isso, a minha resposta à tua pergunta torna-se complicada. Será que pode ser “keep it simple and natural”, que não invalida também o uso e consumo destes famosos “superalimentos”? Por favor aceita esta resposta.

5. Acho-te verdadeiramente uma rapariga sonhadora, que busca ascender, tal como um balão de ar quente, pessoal e profissionalmente em prol do Bem! Como tu o dizes, acerca da tua ida para Moçambique fazer o estágio à Ordem dos Nutricionistas, “vim cá tentar deixar o mundo um bocadinho melhor do que como o encontrei” – certamente conseguiste-o! Qual o próximo destino/mundo que gostarias de deixar um bocadinho melhor?

Tens muita razão Estefânia, sou uma pessoa muito sonhadora, por vezes demasiado utópica ao ser louca o suficiente a achar que posso mudar o mundo. Mas também acho que se não forem loucos como eu a mudá-lo, quem será?
Estefânia, sabias que é responsabilidade do Homem colocar o balão de ar quente no ar? Também é o Homem que o vira ora para a esquerda, ora para a direita. Mas o seu percurso, esse é “escolhido” pelo vento. Também Moçambique não foi uma escolha minha, costumo dizer que foi Moçambique que me escolheu a mim (bom, Moçambique e a ONGD HELPO), porque quando me candidatei a este estágio esperava ir para São Tomé e Príncipe, mas afinal acabei aqui, nesta Ilha lindíssima que é a Ilha de Moçambique.
Há dois anos tive uma experiência de voluntariado nas Filipinas que também me marcou imenso, nessa altura conheci 3 Indianos por quem me rendi completamente. Desde então que sinto uma imensa vontade de ir explorar a Índia e toda a sua cultura maravilhosa. Esse talvez fosse um sítio que gostasse “deixar um bocadinho melhor” até porque também apresente elevados índices de pobreza e de desnutrição. 

Vou direcionar o meu balão de ar quente para aí, mas quem sabe onde me leva o vento entretanto?!

 

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À Conversa com (Mariana Neves)

A Conversa deste mês, no qual começa a Primavera, é com a Mariana Neves do blogue Chá & Girassóis por variadíssimas razões. Uma delas porque claramente continuaremos a consumir muito chá e/ou infusões (ponto essencial em todas as estações) e porque é tempo das flores começarem a florir e encherem os jardins de felicidade, que por acaso é o significado atribuído ao Girassol. Como em todas as Conversas, nesta também, tive que lançar um desafio à Mariana: fotografar algo que ilustrasse a frase “Esta primavera vou ter imensas cores no meu prato, mas o amarelo predominará.” O resultado, bem colorido e alegre, caracterizando a Mariana, está à vista. E a Conversa?  Está aqui, tim tim por tim tim com respostas repletas de boa disposição, respostas que apelam à nossa consciencialização e ainda vos disponibiliza a "receita" para um bom acordar. Afinal de contas é assim que aprendemos: cruzando conhecimentos e experiências. Mais vos digo... valerá também muito a pena aprender com a Mariana. Como? Cruzando cartas. 

 

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1. Se, no teu projeto de Cartas Cruzadas, cruzasses receitas que te fazem feliz, qual obrigatoriamente teria que estar incluída? Porquê?

Estefânia, esta é provavelmente das perguntas mais difíceis que alguma vez respondi.
Primeiro coisa que tenho que dizer é: eu adoro comer. A sério, estar à mesa a partilhar um prato é das melhores sensações para mim e é muito difícil escolher apenas um prato.
Segundo: para além de gostar de comer, amo cozinhar para quem gosto. Se o Cartas Cruzadas cruzasse receitas (e atenção que às vezes cruza) eu era ainda mais feliz. (Risos) A falar a sério! Se o Cartas Cruzasse receitas eu tinha que partilhar três essenciais que eu faço regularmente e amo de paixão. O meu risotto de cogumelos (que é o prato vegetariano favorito dos meus pais), os cogumelos Portobello no forno (o prato favorito do meu namorado) e o crumble (o prato favorito das minhas melhores amigas). Vês? Sem querer identifiquei logo as pessoas que mais importam para mim. Cozinhar é mesmo uma forma fantástica de amar e eu sou apologista disso diariamente. Mas bem, eram sem dúvida estas as receitas!

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2. A tua ligação com a natureza é evidente e isso certamente refletiu-se no facto de hoje praticares uma alimentação vegetariana. Queres contar-nos um pouco sobre isso? 

Realmente, o amor que sinto pela Natureza reflectiu-se em muito do que eu sou hoje. Não só na alimentação vegetariana mas em todo o meu estilo de vida. Por exemplo, eu tento cada vez mais diminuir a minha pegada ecológica (o lixo que faço, as emissões de CO2 pelas quais responsável, etc). Aliás, comecei essa caminhada por uma vida mais sustentável e consciente ainda antes de me tornar vegetariana. Devo dizer que foi essa aprendizagem que me abriu os olhos para o impacto do vegetarianismo no ambiente. Abracei-o quase imediatamente. Tinha 15 anos e já nessa altura o vegetarianismo encaixava na minha vida e naquilo que eu defendia como uma luva. Hoje, passados 8 anos, o impacto que essa decisão teve na minha vida (e na de outros seres) é enorme e imensurável. Acho que para amantes da Natureza, na minha opinião, o vegetarianismo consciente (local, biológico e sustentável) faz todo o sentido. É um passo que com consciência todo aquele que ama o sol, o céu, as nuvens, a terra, o som dos pássaros e o vento, vai tomar.

 

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3. Aproximando-se o tempo mais quente, para muitas pessoas o desafio de ingerir líquidos é superado mais facilmente, por razões óbvias. No entanto, como em todas as coisas, ainda existem as relutantes. Sendo tu uma menina do chá e/infusões, qual o sabor mais fresco que recomendarias? 

Outra pergunta difícil! (Risos) Eu no Verão sou muito fã de àguas aromatizadas. Aliás não só no Verão, quase todos os domingos há àgua aromatizada cá em casa, portanto tenho que falar dessa opção. Se vamos falar de chás e infusões, vou admitir que sou uma fã de sabores tropicais. O chá branco com maracujá e coco (que eu já te falei) fresquinho é o paraíso. No Verão também gosto muito de fazer erva príncipe com gengibre, é mesmo fresquinho. Para quem não gosta de chá existem muitos sabores, como por exemplo chocolate e frutos vermelhos que quando fresco é tão docinho que quase parece um sumo. As opção são ilimitadas e é injusto fazeres-me essa pergunta porque eu sou aquela pessoa que não vive sem os 2L de água diários. Mas para quem tem dificuldades, primeiros passos: águas aromáticas e infusões geladas (escolham biológico e se possível de comércio justo).

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4.  Quem te acompanha, sabe que tens vindo a “destralhar de coisas”. Para aguçar a curiosidade digo mais: quem quiser saber tudinho basta uma visita ao teu blogue. A pergunta que te coloco é a seguinte: achas que o minimalismo também se pode adaptar à nutrição? De que forma?

Sim, o minimalismo não se adapta só às coisas físicas, é um estilo de vida. Por exemplo se eu te disser que “adaptei” o minimalismo à minha rede de contactos, acreditas? O minimalismo é escolher permanecer com aquilo que nos faz bem e nos é útil. E claro que isso se adapta à comida: escolher o que me sabe bem e faz bem ao meu corpo. Simples, não é? O minimalismo passa muito, na minha óptica, por escolhas conscientes. Não é escolher só porque sim, porque está na moda ou em promoção, é escolher porque me faz e sabe bem. E sabes bem melhor do que eu o quanto isto se pode adaptar às nossas escolhas alimentares. Por exemplo, eu adoro chocolate, adoro mesmo. Um quadradinho de chocolate faz-me muito feliz e não quero abrir mão dele. O que eu comecei a fazer foi escolher o chocolate em função do sabor e do que ele representa, agora só compro de comércio justo e com muita percentagem de cacau. Isto é para mim o minimalismo.

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5. Por último, mas não menos importante, segundo julgo saber, e tal como eu, és uma gostas de aproveitar os dias, começando já de manhã cedinho. Deste modo, qual o conselho mais importante que deixas para as pessoas que têm o tão conhecido “mau acordar”?

Vá, Estefânia tu escolheste as perguntas mais difíceis! Não sei responder a esta pergunta. Não sei mesmo. Habituei-me a acordar cedo com o meu namorado e ele é aquela pessoa extremamente bem disposta quando acorda, portanto logo daí foi o meu exemplo. E comecei a acordar cedo por causa dele, mas mais tarde comecei a fazê-lo por mim. Acordar cedo faz-me ser tão mas tão mais rentável ao longo do dia. A sério é como àgua e azeite. Noto muitas diferenças a nível da minha concentração e produtividade. Portanto se acordar mais cedo me faz ser mais produtiva, se ser mais produtiva me faz cumprir mais objetivos e sentir-me bem, porque não iria sentir-me feliz por acordar cedo? Acho que este é o primeiro passo: perceber que queremos acordar a essa hora, porque é bom para nós (e não porque “temos”). Outra coisa que eu faço para realmente acordar é: nunca tenho o telemóvel que é o meu despertadorperto de mim. Quando me deito coloco-o no outro lado do quarto, em cima da secretária, assim quando o despertador toca tenho que me levantar para o ir desligar. Aproveito e subo logo as persianas e abro a janela. Ver a luz já não me faz ter vontade nenhuma de voltar para a cama, especialmente nestes dias de sol. Depois vou tomar banho ao som da minha música favorita na altura. Esta é a minha receita para resolver o “mau acordar”.

 

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