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Cozinhar com

Venez j'vais vous aider. On descend et hot c'est parti - Amélie Poulain

À Conversa com (Carmo Sousa Lara)

Carmo Sousa Lara (aqui) entre muitas outras coisas, tem um nome sonante e um sorriso contagiante. Segundo uma rápida pesquisa pelo mundo cibernético consegui saber que ao nome Carmo estão associadas características como: meiga, sociável e de trato fácil. E não é que é verdade? Depois de lereis esta Conversa facilmente as tereis identificado (estas e muitas mais, tal como eu o fiz). Também ireis ficar a conhecer a história da relação da Carmo com a comida, uma bonita história - daquelas com um final feliz! Feliz. É este Estefânia, é este o adjetivo que descreve esta Conversa! 

 

Transmite como gostarias que as pessoas vissem a nutrição:  

VERA E TERESS  (1 of 26)

Carmo SL 2.10

   

Deixa-me dizer-te, em primeiro lugar, que é uma alegria enorme poder estar aqui “À Conversa” contigo, obrigada pelo desafio, espero de coração poder estar à medida. Depois, deixa-me relembrar o quanto gosto do teu nome bonito.

 

Gostaria que se olhasse para a nutrição como ela é: um processo natural das nossas vidas! Gostaria que a nutrição, a alimentação não fossem uma moda como é a roupa ou os ginásios onde vamos, as músicas que se ouvem, os penteados que se escolhem. A alimentação faz parte da nossa saúde e do nosso bem estar, a todos os níveis. Todos nós somos seres únicos... Mais parecidos numas coisas e muito diferentes noutras. Sou muito resistente a fórmulas generalizadas e aplicadas igualmente a todos, não pode ser assim. Acho que é muito mais importante a nossa cultura virar-se para o "eu" num caminho de descoberta da nossa identidade enquanto pessoas, o nosso desenvolvimento, a nossa história, e perceber bem como aprender que a nutrição é uma condição que nos é natural, comemos para não morrer, e que comer é bom e faz parte de nós. Aprendermos a fazer escolhas saudáveis e que isso é bom, aprender que o nosso corpo pede o que precisa e que por isso temos que também aprender a respeita-lo a escuta-lo.  Aprender mais sobre os alimentos, a sua riqueza, em vez de crescermos obcecados com medidas, com tamanhos, com números de calças e com estériotipos que muitas vezes nos fazem tão mal e provocam um caminho contrário ao natural, de prisão, em que a comida passa a ser um bicho papão, que quase que nos faz mal. Vivemos numa sociedade que pressiona muito, impõe muito, eu sinto, senti isso na pele, desde muito miúda, e por isso, desenvolvi uma má relação com a comida.
A comida é boa! Não está cá para nos fazer mal, muito pelo contrário.
Gostaria que houvesse mais tolerância, compreensão, um mundo menos manipulador e que entendêssemos que talvez seja preciso por vezes mudar o foco, desmistificar algumas questões e re-centrar no que é realmente essencial, fazermos boas escolhas, acreditarmos em nós.
  

 

1. A organização europeia de defesa dos consumidores (BEUC) publicou o mês passado um relatório sobre a publicidade a alimentos de má qualidade nutricional utilizando mascotes. Segundo a organização, a utilização destas mascotes, muito persuasivas para encorajar o consumo de produtos com excesso de sal, açúcar e gorduras em crianças, deve ser limitado. Agora pergunto, tendo tu um mini Manel em casa, como é que ele, e consequentemente tu, lidas com essa publicidade?  

Em relação ao tópico desta pergunta, ainda não é um problema muito grande cá por casa, mas sublinho, ainda! Sempre escolhemos os produtos cá de casa, pelo produto em si, e não pelas “mascotes” associadas a eles. Nunca valorizámos isso, e para já o Manuelzinho também não liga muito (mas sei que a tendência à medida que vão crescendo é ligarem! Seguirem as modas e as coisas que os amigos fazem ou têm, tem que se aprender a contrariar para não ficarmos todos vítimas do consumismo!). Nunca tentámos introduzir um alimento por ser do boneco “X” ou “Y”. Liga mais às mascotes associadas a desenhos animados, como a Patrulha Pata e afins, mas tentamos sempre evidenciar produtos não alimentares ligados a esses temas (toalhas, roupas, brinquedos, até os pratos ou copos para as refeições, mas não a comida...). Há uma regra muito importante cá em casa: Não se brinca com a comida. Essa é uma dádiva enorme à qual temos de estar sempre gratos e valorizar.

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2. Apercebi-me que tens um mini M. muito curioso, inclusive na cozinha. Estou certa? Será que herdou o gene culinário do outro Manel da tua vida?

Que engraçado essa mensagem passar sem eu ter dado por isso!! Sim, claramente! Cá em casa temos um grande Chef, filho e neto de grandes cozinheiras. É ele, meu marido, que cozinha e trata da confeção dos alimentos, na maioria das vezes, eu fico-me pelas compras. Ao princípio era quase que ofensivo para mim, sendo eu a Mulher da casa, não cozinhar... Era politicamente correto assim o fazer. Depois apercebi-me que não só o Manel (marido) era muito mais talentoso do que eu, como tinha muito mais gosto em fazê-lo do que eu. Não há quem não venha cá a casa que não fiquei rendido com os seus pratos, as suas sobremesas.... O nosso mini M parece sem dúvida querer seguir todas as pegadas do Pai, da Avó e da Bisavó. Já pede muitas vezes para ajudar, vai buscar uma cadeira e trepa para conseguir estar ao nível da bancada. Gosta de se encarregar em tarefas e já as faz com muito cuidado e talento. Já fez pizzas com a Avó I, bolos com o Pai e o jantar cá de casa. Interessa-se mesmo genuinamente. 

Bingas da Mãe (1 of 4)

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3. E quanto a ti Carmo, sabemos que és acompanhada pela Clínica de Nutrição de Lisboa, como está hoje a tua relação com a comida? Qual o antes e o depois?

Falei-te antes de receber as tuas perguntas de como eu poderia não ser um bom exemplo para os leitores. Sabes? Tenho uma vida cheia de histórias muitas vezes às avessas com a comida. Hoje em dia, tenho muitos mais cuidados... Fui aprendendo muitas coisas em relação à minha forma de estar com a comida, com a minha amiga Mafalda Rodiles, que desmistifica muitos tabus em relação à alimentação, às modas, às dietas, no seu programa “seja feliz sem dietas”, que fiz no ano passado, onde perdi 2kg, sem dietas... Desde os meus 13 anos, ou seja há 17 anos, que ando sempre em guerra com a comida, com o meu corpo, mas procuro a paz e sobretudo o equilíbrio certo para mim, hoje sei que não é uma coisa que se resolve da noite para o dia, mas sim, é um caminho longo a percorrer, onde muitas vezes, é um caminho de autoconhecimento, de cura, de perdão, de recomeço. Temos várias vezes, a tentação de nos deixarmos levar pelas modas, que são perigosíssimas. Penso que temos de saber ouvir muito mais o nosso corpo, antes de ouvirmos os palpites dos outros e a escravidão das modas e do “tem que ser” ou “assim é que é” de todas as tendências alimentares. Todos temos problemas, e a questão é que muitas vezes são diferentes uns dos outros e não são “tratáveis” da mesma forma, este é para mim o ponto mais importante e ao mesmo tempo, problemático da nossa cultura. É fazer-se uma fórmula mágica e aplicá-la a todos. Não somos todos iguais. Sempre tive problemas emocionais e compulsivos com a comida, hoje não tenho medo de assumir isso, porque sei que dizê-lo ajuda-me. A Clínica Nutrição de Lisboa e a sua equipa fora de série, foram estes Anjos que apareceram na minha vida numa fase difícil. É muito fácil perdermos o norte depois de sermos Mães, ficamos desreguladas, a nossa vida vira de pernas para o ar, deixamos de ter tempo para nós, a prioridade passam a ser eles e no meio de todo este furacão perdi-me. Engordei ainda mais do que já estava, sentia-me muito mal, estava desamparada e frustrada, sentia que eu funcionava ao contrário de todas as Mães super-perfeitas, que ficam magras e têm filhos santos (e muitas vezes ainda o sinto... Talvez seja o tal problema das modas e dos generalismos, é muito mais fácil e giro fazer parecer que a nossa família é perfeita e cor de rosa.) A CNL apareceu na minha minha, e para sempre lhes estarei eternamente grata por tudo o que têm feito por mim. Comecei por fazer tratamentos estéticos que fui partilhando no blog, nomeadamente às estrias (que era um caso muito antigo e avançado), tive resultados incríveis, esse foi o gatilho para me voltar a encontrar. Comecei a sentir-me melhor e o meu corpo automaticamente a desinchar com a boa onda que estava a criar, só pelo simples facto de estar a cuidar de mim. Depois fiz um tratamento inovador, o único em Portugal aprovado pela FDA Americana, chamado coolsculpting, é uma lipoaspiraçãp não cirúrgica, que destrói a gordura localizada. Juntamente com o tratamento que fiz a 8 zonas (barriga e flancos) fiz um plano alimentar proposto pela clínica e ao todo até aqui foram 5 kg e muitíssimos centímetros a menos. Uma mudança inacreditável e maravilhosa. Voltei a encontrar-me e a sorrir para mim mesma. Mais à frente, comecei a fazer o acompanhamento nutricional com o Dr. Cláudio Rodrigues, que é um querido e me ensinou muita coisa. Traçou-me um plano, não gosto de lhe chamar dieta, passei a ficar resistente a esse nome, e agora aqui estou. Foram apenas 5 kg ao todo que perdi para os 15 kg a mais que têm que ir, mas já foi um excelente começo, e se não tivesse sido com a força e o empurrão não só desta clínica como do carácter excecional humano de todas e cada uma das pessoas que lá trabalham e lidaram comigo (Diana Formozinho Sanchez cuja a alegria e profissionalismo são fora, mas mesmo fora do comum, a Joaninha, a Ana, a Dora, a Rita, que são as fisioterapeutas mais atentas, cuidadosas e doces, estão sempre genuinamente preocupadas connosco.... O querido e fantástico Dr. Pedro Queiroz, autor do livro “Emagreça onde mais precisa” bem como fundador da Clinica Nutrição de Lisboa, o meu querido Nutricionista Dr. Cláudio Rodrigues). Sem esta equipa de sucesso, não teria conseguido. A eles um abraço bem apertado e um beijinho do tamanho do mundo, por me ajudarem tanto. 

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4. És fotógrafa de profissão, portanto, calculo que em dias mais atarefados, tenhas que ter contigo alimentos “on the go”. Quais as opções?

É mesmo muito complicado... Dias em que tenho sessões, casamentos, batizados... Ando numa correria mesmo grande, tento levar alguma coisa prática e rápida de comer na carteira, mas muitas vezes não tenho essa “coisa” prática nem saudável em casa. Quando vou ao supermercado, por vezes esqueço-me de comprar snacks ou alternativas mais saudáveis para esses dias, confesso... Acho tão difícil de encontrar alternativas que sejam boas, light, saudáveis e ao mesmo tempo práticas de levar. Tenho que ter qualquer coisa muito rápida e fácil de comer, porque a logística nem sempre permite que me sente e faça uma pausa com talheres. Nos dias mais longos como nos casamentos, acabo por não comer nada até à hora do jantar (o que é péssimo para a saúde), depois já estou um monstrinho de fome e a cabeça já só quer rápido e o que houver, já nem pensas que tens que filtrar tal não é o desespero de fome. A solução passa claramente, por uma organização maior em casa e no supermercado, descobrir snacks, frutas, e outros produtos que sejam só tirar do bolso e comer, assim posso fazê-lo enquanto trabalho e com tranquilidade. Passa também por tentar confecionar ao máximo em casa e levar, para evitar passar nas bombas de gasolina e comprar “porcarias”. Há uma coisa da qual não prescindo na minha mochila, ÁGUA, muita água! E geralmente, os iogurtes magros. Sei que com um iogurte na mochila já não chego ao “desespero” da fome, faço uma pausa rápida antes ou depois de fotografar, assim o meu corpo e mente já ficam mais tranquilos e saciados. Peças de fruta são boas, gelatinas seriam se não ficassem todas derretidas, bolachas são muito práticas mas tenho que saber muito bem o tipo de bolachas.

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Monna by MU (3 of 27)

 

 

5. E agora uma pergunta que não pode deixar de ser feita: porquê que escolheste e seguiste Fotografia na tua vida?

A Fotografia é uma paixão muito antiga na minha vida. Andava cheia de vontade de escrever sobre isto e fico tão feliz que me perguntes, obrigada!
A minha Mãe andava sempre de Canon atrás (não sei se ela sabe, mas creio que foi ela que semeou em mim este bichinho). Somos 5 filhos, e a minha Mãe a todos nós fez mais que 1 álbum desde que nascemos. Podem achar 2 álbuns por criança pouco, mas na altura 1 álbum ia com fotografias (analógicas logicamente) desde os zero aos 5 depois, tudo montado à mão, um segundo álbum dos 5 aos 12/13... Uma coisa género primeira e segunda infância. Era tão diferente do agora, haviam rolos, fotografias limitadas, que só as viamos por vezes meses depois de as tirarmos, escolhiam-se as melhores para os tais álbuns, e esses repousavam até às próximas fotografias chegarem. Para construir 1 álbum levavam-se meses, ou anos!
Lembro-me de ver a minha Mãe a fazer os álbuns, a ter que ir revelar e buscar fotografias com a mesma responsabilidade como que tinha de ir ao supermercado ou à sapataria comprar-nos sapatos novos para uma festa, era um assunto sério!
Quando começámos a ter idade já podíamos mexer na máquina e tirar uma ou duas fotografias, muito bem pensadas e planeadas, mas com cautela! Lembro-me dos planeamentos das fotografias em que tirávamos os 5 manos juntos, havia todo um cenário escolhido, posições pensadas, roupa a condizer, penteados, luz, etc.. Em certa fase, detestávamos isto, depois passámos a fazê-lo mais rápido!
Acho que tudo isto me foi entrando na veia. Depois, fui tendo máquinas descartáveis, mais à frente umas mais à séria, uma polaroid que um Tio me ofereceu nos anos, e andava sempre a pedir outras máquinas emprestadas (coisa que não gosto de fazer!).
Cheguei aos 21 anos e fui para Londres, estudar Fotografia.
Infelizmente, não completei os 4 anos de formação, porque enganei-me ligeiramente na escolha do curso, é que lá, ao contrário de cá, há centenas de cursos para todos os gostos, e fui para um curso superior de fotografia analógica em vez de digital que era o que pretendia na altura. Hoje vejo que nada é por acaso e que aprendi muito, aprendi o básico os fundamentos, mas andava desfasada dos meus colegas que era profissionais na coisa e eu andava muitos furos a baixo, perdida. Penei, mas deu-me a estaleca toda que tenho hoje.
Antes de ir para Londres, creio que em 2007, comecei a fazer os meus primeiros trabalhos fotográficos profissionais, sem procurar nem um deles.
As pessoas viam o meu trabalho e ficavam fascinadas, mexiam-se até encontrarem o meu número telefónico e contactavam-me a pedir para lhes fotografar os baptizados dos filhos, netos... E eu lá ia de material emprestado (imagina...!)
Depois quando voltei de Londres, abandonei a minha paixão.... Foi tão estúpido, mas necessário talvez para me construir na pessoa que sou hoje.
Fui tirar o curso e mestrado em Educação de Infância, área que amo e que tem tudo a ver com o que faço hoje (estou muito ligada a bebés, famílias...). Depois de acabar o Mestrado, casei, e pouco depois de ter defendido a minha Tese, descobri que estava grávida. Tive que ficar de baixa, por uma ameaça de aborto, e passei a estar muito tempo em casa, sem trabalho.
Quem me conhece sabe, não sou de me dar quieta! A minha cabeça é muito idiota e o que gosto mesmo é de criar sem limites, sou sonhadora, impulsiva, acredito nas coisas.
Então criei a MU, que virou Mu Blog. Comecei não pela fotografia mas pelo blogue e rapidamente percebi, depois de voltar a agarrar-me aos livros e tutoriais de fotografia que tinha que voltar às minhas raízes, ao meu eu.
Estava desempregada, tinha que trabalhar para sustentar, e agreguei ao blog a minha antiga paixão - A Fotografia!
Foi muito difícil voltar ao mercado quase 10 anos depois, num mercado cheio e quase saturado de bons colegas profissionais, sabia que ia ser um desafio daqueles, mas acredito que com muito trabalho e determinação, tudo se consegue.
Hoje, aqui estou! De agenda fechada, esgotada, com muitas dores lombares de tanto trabalhar, mas muito feliz.
Valeu cada noite curta de sono, cada trabalho sem receber nada, cada dia agarrada ao computador, tudo, todo o meu investimento pessoal e profissional. Vale a pena sonhar, acreditar e trabalhar no duro para chegar onde queremos!

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6. Para finalizar (tough one question), e como a área da Inovação Alimentar é do meu especial interesse, desafio-te a criares um novo produto alimentar adequado aos teus hábitos e preferências alimentares?  

Sou muito apreciadora dos snacks, por ser isso que me faz mais falta. Diria que uma espécie de barritas light com iogurte com alternativas em cima ou recheados... Uns com frutas, cereais, granolas... Outros em modo salgado, por exemplo, com legumes (outra base talvez), tomate e mozarella, presunto, queijo fresco. Possivelmente tudo isto é zero viável! Quiches também em modo light e “on the go”, sacia muito a alma!