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Cozinhar com

Venez j'vais vous aider. On descend et hot c'est parti - Amélie Poulain

À Conversa com (Marta Correa)

É a primeira pessoa, profissionalmente ligada à área da nutrição a aparecer por aqui e, certamente, não será a única.
A Marta, licenciou-se na mesma cidade e no mesmo curso que eu, só que em anos diferentes. Estava eu a dar os primeiros passos, enquanto que, a Marta caminhava/corria a passos largos/a alta velocidade de ultimar a sua viagem académica. Para além disso, e tal como eu, conseguimos verificar através do seu Instagram (@Healthy_Chincue), a sua notável paixão por comida aliada à sua vasta criatividade, de tal modo que a desafiei a criar uma receita. Oh, e é um exclusivo, vede lá a sorte que tendes!

 

Desafios. Esta também poderá ser uma das palavras que a caracteriza, pelas variadas razões de que nos fala na Conversa, pelos treinos a enfrentar o frio, pelo corrente mês em que se está a desafiar a 21 dias vegan e por este ano ser o ano do seu casamento (acaba por ser um desafio, am i right?).

E é assim, com a certeza de que todos serão, seguramente, bem sucedidos em prol da felicidade, que vos deixo com a Conversa, e duas receitas que a Chincue decidiu partilhar.

 

Numa das publicações do seu Instagram, a Marta escreveu algo com que muita gente se vai identificar

 

"Não sou, claramente, uma futura chef, mas há algo muito forte que me apaixona na arte de cozinhar, criar, servir...é o facto de podermos materializar e colocar num prato o melhor que sai de nós para dar aos outros. É a oportunidade que temos de poder criar algo com todo o nosso empenho, amor, carinho e dedicação e partilhá-lo com quem amamos, para que possam sentir o mesmo que nos faz feliz a nós"

Para começar, eu é que agradeço o convite para entrar nesta "tua casa" e poder participar enquanto a primeira profissional na área da nutrição (sem pressão, hum.. hehe). É, sinceramente, com muito gosto que aceito participar e espero estar à altura de tal honra!

 

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1. Uma pergunta que sempre me intrigou, e que espero vê-la “desmitificada”, é a seguinte: o Healthy já percebi, e quem te segue, claramente que também dará rapidamente conta do porquê… e o Chincue?

Hehe essa é uma pergunta bastante frequente, em vários contextos na verdade, isto porque Chincue é a minha alcunha desde que me lembro de existir. É quase mais meu nome do que Marta, de tal maneira que, apesar de hoje em dia já estar mais habituada a que me chamem de Marta, pessoas que me são muito próximas, se calha chamarem-me pelo nome e não por Chincue, eu tomo mesmo como uma ofensa hahaha.

E porquê Chincue? Bom, porque comecei a falar aos cinco meses e o meu pai (que é chileno e adora italiano) contava a toda a gente que a filha dele aos "cinque" (cinco em italiano) meses tinha começado a falar, tanto repetiu que ficou a minha alcunha. Quando aprendi a escrever, achei que fazia mais sentido ser escrito com H e assim ficou. A maior coincidência é eu ser a primeira de cinco irmãos, o que torna a coisa ainda mais gira! 

 

2. Soubemos, ainda em 2016, que foste pedida em casamento na Disneyland Paris. Para alegria do Daniel. e obviamente da tua, disseste que sim! Se, hipoteticamente, o mundo estivesse virado do avesso e daqui em diante os casamentos não se fariam de excessos, nomeadamente a nível de comida, como seria o teu imaginável healthy wedding? 

Ui essa não é fácil! Sinceramente, para mim, um estilo de vida saudável passa por incluir estes dias que são, obrigatoriamente, a exceção. Dito isto, claro que considero este dia um exagero a nível alimentar e, apesar de seguir muito a linha tradicional do que é um casamento em Portugal, no meu casamento vou ter algumas alterações na ementa, de forma a poder incluir algumas alternativas que considero mais saudáveis e divertidas.

Eu não consigo imaginar um casamento totalmente healthy mas, se fosse facilmente adaptável, trocaria o "Cocktail Drink" (habitual dos salgadinhos e tostinhas com pastas) por um carrinho de pipocas (sou fã), outro de maçãs do amor e outro de gelados de iogurte e frutas feitos, no momento, com azoto líquido, não imagino nada mais fixe do que isto num casamento, e claro que incluiria umas espetadas de frutas e outras de legumes e shots de sopa de melão e melancia, seria muito por aí.

Mas, mais do que alterar a ementa, penso que o que tornaria um casamento "mais saudável" seria criar um ambiente que obrigasse a que os convidados passassem mais tempo a conviver em torno de atividades do que à volta de uma mesa. Essa, para mim, é a verdadeira questão.

 

3. Entrava eu no 1º ano de Dietética, saias tu meses depois como já licenciada. Se não fosses dietista o que serias?

Sinceramente não sei. Sempre quis ser cirurgiã, desde pequena mas, na verdade, na hora de escolher percebi que o que eu realmente sabia fazer melhor era comer haha. Em criança sofria de excesso de peso e, claro, de muito gozo por parte dos colegas, até que um dia mudei de cidade, da Amadora para Oeiras, e tudo mudou! Decidi que ali seria diferente (por receio e insegurança daquela mudança) e que o peso não seria mais um problema e, sem noção, acabei por desenvolver um distúrbio alimentar. Para além disso, uma mãe solteira com cinco filhos não é "pêra doce" e nem sempre tivemos tudo o que precisávamos então, enquanto mana mais velha, sempre cuidei e cozinhei para os meus irmãos com o que havia desde os sete ou oito anos o que, na verdade, desenvolveu muito o meu lado criativo hehe. Tudo isto pesou na minha escolha de profissão e, caso não fosse Dietista, claramente seria outra coisa qualquer relacionada com comida.

 

4. Treinos, é algo que vemos a fazeres com muita vontade e sorriso no rosto. É algo que fazes desde sempre ou que surgiu já em idade adulta? Com intuito de motivar os iniciantes, que mensagem deixas?  

Sim, é algo que adoro e a regularidade com que faço não é apenas por gosto mas sim por necessidade. É realmente terapêutico para mim. Sempre fiz exercício físico, em miúda jogava muito à bola, ténis, baseball, basquete etc (não fosse eu a única rapariga de cinco irmãos). No meio de tantos irmãos e todos eles rapazes seria impossível não me tornar um bocadinho num também.

Para quem está a iniciar um estilo de vida saudável, há três coisas que não podem faltar: um objetivo, perseverança e honra.

O objetivo é o que te faz querer correr o percurso, o que te motiva;
A perseverança é a qualidade que não te faz desistir com facilidade, o que te mantem a persistir;
A honra, essa é aquela que existe quando os outros dois fraquejam, é a honra ao compromisso que fizeste contigo mesmo que, quando o resto falha, mantém a disciplina e o respeito que é preciso ter por ti mesmo para chegar até onde te comprometeste.

O que sinto é que, todos os dias em que fui correr sem ter vontade, foram dias de superação em que me tornei mentalmente mais forte e com maior controlo sobre a mim, sobre a minha vida, no sentido em que eu sei que consigo alcançar tudo aquilo a que me proponho.

 

5. Fazer scroll no teu Instagram é levar com um boost de energia e muita cor! Serão estas duas das muitas palavras que te podem definir como pessoa? 

Sim, sem dúvida. Há tanta coisa cinzenta à nossa volta, tantos dias, tantas pessoas, tantos momentos na vida que são cinzentos que, podendo optar, opto por abraçar todas as cores que tenho à minha volta. Sinto, muito honestamente, que todos os dias em que posso comer o que eu quero, estar com quem quero e como quero são verdadeiramente uma bênção. No meu percurso nem todos os dias foram coloridos e, por isso, aprendi a olhar com entusiasmo para tudo o que corresse bem no meu dia e, com isso, sou feliz!

 

Desafio: Inicialmente, pedi-lhe que fotografasse o seu alimento favorito e fizesse uma receita com ele, mas, como vão ler, o caso mudou de figura e eu, coloquei-a à vontade para que, ela própria desse ao desafio o rumo que quisesse.

Pediste-me para fotografar o meu alimento favorito e foi, para meu grande espanto, um verdadeiro desafio que me levou a perceber que não tenho um alimento favorito haha. Estranhamente não consigo destacar nenhum alimento de todos os que adoro comer, cada um tem um cunho muito forte no meu coração.

No entanto, consigo dizer-te qual o que eu não gosto de todo: feijão! Persegue-me desde criança, como se de uma assombração se tratasse. Tentei gostar dele inúmeras vezes, dei-lhe oportunidades sem fim, umas por imposição dos adultos, outras porque percebi que realmente é um alimento fantástico do ponto de vista nutricional. Tentei tanto que lá encontrei uma forma desta relação resultar e, daqui, surgiram uns hambúrgueres de feijão e cogumelos, inspirados numa receita de um dos livros vegetarianos da Gabriela Oliveira.

 

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Entretanto, como me apanhaste a meio de uma experiência vegan, e como me pediste que inventasse uma receita, deixo-te uma das experiências (sem nome oficial) que correu bem e que foi resultado da necessidade de imaginação que esta fase criou.

 

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