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Cozinhar com

Venez j'vais vous aider. On descend et hot c'est parti - Amélie Poulain

À Conversa com (Mariana Neves)

A Conversa deste mês, no qual começa a Primavera, é com a Mariana Neves do blogue Chá & Girassóis por variadíssimas razões. Uma delas porque claramente continuaremos a consumir muito chá e/ou infusões (ponto essencial em todas as estações) e porque é tempo das flores começarem a florir e encherem os jardins de felicidade, que por acaso é o significado atribuído ao Girassol. Como em todas as Conversas, nesta também, tive que lançar um desafio à Mariana: fotografar algo que ilustrasse a frase “Esta primavera vou ter imensas cores no meu prato, mas o amarelo predominará.” O resultado, bem colorido e alegre, caracterizando a Mariana, está à vista. E a Conversa?  Está aqui, tim tim por tim tim com respostas repletas de boa disposição, respostas que apelam à nossa consciencialização e ainda vos disponibiliza a "receita" para um bom acordar. Afinal de contas é assim que aprendemos: cruzando conhecimentos e experiências. Mais vos digo... valerá também muito a pena aprender com a Mariana. Como? Cruzando cartas. 

 

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1. Se, no teu projeto de Cartas Cruzadas, cruzasses receitas que te fazem feliz, qual obrigatoriamente teria que estar incluída? Porquê?

Estefânia, esta é provavelmente das perguntas mais difíceis que alguma vez respondi.
Primeiro coisa que tenho que dizer é: eu adoro comer. A sério, estar à mesa a partilhar um prato é das melhores sensações para mim e é muito difícil escolher apenas um prato.
Segundo: para além de gostar de comer, amo cozinhar para quem gosto. Se o Cartas Cruzadas cruzasse receitas (e atenção que às vezes cruza) eu era ainda mais feliz. (Risos) A falar a sério! Se o Cartas Cruzasse receitas eu tinha que partilhar três essenciais que eu faço regularmente e amo de paixão. O meu risotto de cogumelos (que é o prato vegetariano favorito dos meus pais), os cogumelos Portobello no forno (o prato favorito do meu namorado) e o crumble (o prato favorito das minhas melhores amigas). Vês? Sem querer identifiquei logo as pessoas que mais importam para mim. Cozinhar é mesmo uma forma fantástica de amar e eu sou apologista disso diariamente. Mas bem, eram sem dúvida estas as receitas!

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2. A tua ligação com a natureza é evidente e isso certamente refletiu-se no facto de hoje praticares uma alimentação vegetariana. Queres contar-nos um pouco sobre isso? 

Realmente, o amor que sinto pela Natureza reflectiu-se em muito do que eu sou hoje. Não só na alimentação vegetariana mas em todo o meu estilo de vida. Por exemplo, eu tento cada vez mais diminuir a minha pegada ecológica (o lixo que faço, as emissões de CO2 pelas quais responsável, etc). Aliás, comecei essa caminhada por uma vida mais sustentável e consciente ainda antes de me tornar vegetariana. Devo dizer que foi essa aprendizagem que me abriu os olhos para o impacto do vegetarianismo no ambiente. Abracei-o quase imediatamente. Tinha 15 anos e já nessa altura o vegetarianismo encaixava na minha vida e naquilo que eu defendia como uma luva. Hoje, passados 8 anos, o impacto que essa decisão teve na minha vida (e na de outros seres) é enorme e imensurável. Acho que para amantes da Natureza, na minha opinião, o vegetarianismo consciente (local, biológico e sustentável) faz todo o sentido. É um passo que com consciência todo aquele que ama o sol, o céu, as nuvens, a terra, o som dos pássaros e o vento, vai tomar.

 

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3. Aproximando-se o tempo mais quente, para muitas pessoas o desafio de ingerir líquidos é superado mais facilmente, por razões óbvias. No entanto, como em todas as coisas, ainda existem as relutantes. Sendo tu uma menina do chá e/infusões, qual o sabor mais fresco que recomendarias? 

Outra pergunta difícil! (Risos) Eu no Verão sou muito fã de àguas aromatizadas. Aliás não só no Verão, quase todos os domingos há àgua aromatizada cá em casa, portanto tenho que falar dessa opção. Se vamos falar de chás e infusões, vou admitir que sou uma fã de sabores tropicais. O chá branco com maracujá e coco (que eu já te falei) fresquinho é o paraíso. No Verão também gosto muito de fazer erva príncipe com gengibre, é mesmo fresquinho. Para quem não gosta de chá existem muitos sabores, como por exemplo chocolate e frutos vermelhos que quando fresco é tão docinho que quase parece um sumo. As opção são ilimitadas e é injusto fazeres-me essa pergunta porque eu sou aquela pessoa que não vive sem os 2L de água diários. Mas para quem tem dificuldades, primeiros passos: águas aromáticas e infusões geladas (escolham biológico e se possível de comércio justo).

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4.  Quem te acompanha, sabe que tens vindo a “destralhar de coisas”. Para aguçar a curiosidade digo mais: quem quiser saber tudinho basta uma visita ao teu blogue. A pergunta que te coloco é a seguinte: achas que o minimalismo também se pode adaptar à nutrição? De que forma?

Sim, o minimalismo não se adapta só às coisas físicas, é um estilo de vida. Por exemplo se eu te disser que “adaptei” o minimalismo à minha rede de contactos, acreditas? O minimalismo é escolher permanecer com aquilo que nos faz bem e nos é útil. E claro que isso se adapta à comida: escolher o que me sabe bem e faz bem ao meu corpo. Simples, não é? O minimalismo passa muito, na minha óptica, por escolhas conscientes. Não é escolher só porque sim, porque está na moda ou em promoção, é escolher porque me faz e sabe bem. E sabes bem melhor do que eu o quanto isto se pode adaptar às nossas escolhas alimentares. Por exemplo, eu adoro chocolate, adoro mesmo. Um quadradinho de chocolate faz-me muito feliz e não quero abrir mão dele. O que eu comecei a fazer foi escolher o chocolate em função do sabor e do que ele representa, agora só compro de comércio justo e com muita percentagem de cacau. Isto é para mim o minimalismo.

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5. Por último, mas não menos importante, segundo julgo saber, e tal como eu, és uma gostas de aproveitar os dias, começando já de manhã cedinho. Deste modo, qual o conselho mais importante que deixas para as pessoas que têm o tão conhecido “mau acordar”?

Vá, Estefânia tu escolheste as perguntas mais difíceis! Não sei responder a esta pergunta. Não sei mesmo. Habituei-me a acordar cedo com o meu namorado e ele é aquela pessoa extremamente bem disposta quando acorda, portanto logo daí foi o meu exemplo. E comecei a acordar cedo por causa dele, mas mais tarde comecei a fazê-lo por mim. Acordar cedo faz-me ser tão mas tão mais rentável ao longo do dia. A sério é como àgua e azeite. Noto muitas diferenças a nível da minha concentração e produtividade. Portanto se acordar mais cedo me faz ser mais produtiva, se ser mais produtiva me faz cumprir mais objetivos e sentir-me bem, porque não iria sentir-me feliz por acordar cedo? Acho que este é o primeiro passo: perceber que queremos acordar a essa hora, porque é bom para nós (e não porque “temos”). Outra coisa que eu faço para realmente acordar é: nunca tenho o telemóvel que é o meu despertadorperto de mim. Quando me deito coloco-o no outro lado do quarto, em cima da secretária, assim quando o despertador toca tenho que me levantar para o ir desligar. Aproveito e subo logo as persianas e abro a janela. Ver a luz já não me faz ter vontade nenhuma de voltar para a cama, especialmente nestes dias de sol. Depois vou tomar banho ao som da minha música favorita na altura. Esta é a minha receita para resolver o “mau acordar”.

 

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