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Cozinhar com

Venez j'vais vous aider. On descend et hot c'est parti - Amélie Poulain

À Conversa com (Inês Oliveira)

Eis uma fotografia que representa o meu pequeno almoço, que requereu algum raciocínio da minha parte. E de quem foi a culpa de tal raciocínio? Creio que da Inês. O porquê está no blogue! Adiante.. apesar de lhe estar a deitar as culpas, confiei na inocência dela (até porque foi um bom crime)  e quis que ela fosse a personagem principal desta Conversa.

Ambas ocupámos Leiria e a Escola Superior de Saúde nos mesmos anos e nas mesmas salas, mas acima de tudo partilhámos u gosto comum: a Nutrição. Ah! E um instagram com muito comidinha! Ao longo de 5 respostas tereis um grande privilégio (for free, boys and girls): viajar até ao Brasil! E mais não digo, para sabereis o resto tomai só o cartão de embarque e depois é convosco... se decidis ficar ou não? Eu ficaria, para ler mais Conversas e quem sabe não ter outras viagens de passar a perna a qualquer companhia aérea.

 

Troca de desafios

   

O desafio que a Inês deu à Estefânia

 

• Faz um prato 100% vegan, com alto teor em ferro, zinco e vitamina B12.  

 

Escolhi fazer um batido com espinafres, morangos, e kiwi. A acompanhar está um pudim de chia, aveia e bebida vegetal de amêndoa e ainda umas castanhas do pará. 

 

• Os espinafres ficou preenchido o requisito do ferro, mas não é bem assim.. Os espinafres apesar de o conterem, também contêm oxalatos em grande quantidade, um chamado "anti nutriente", isto porque, ao ligar-se ao ferro, diminui a sua absorção no organismo. 

• Os morangos e o kiwi, não é a toa que aparecem aqui, pois sendo frutas ricas em vitamina C, vão ajudar à absorção do ferro. 

• A chia, possui ferro numa quantidade 3 vezes superior à existente no espinafre.

• A aveia, por sua vez, é um cereal muito rico também em ferro, porém, contém igualmente um "anti nutriente" - os fitatos, daí eu tê-la demolhado no na bebida de amêndoa, de forma a diminuir o teor do mesmo.

• A vitamina B12. Existindo no desafio o fator vegan, tive que, obviamente, eliminar as principais fontes dessa vitamina - produtos de origem animal como o peixe, carne, ovos, queijo e leite.O que me restava? Levedura de cerveja ou algas - através destes dois produtos (por exemplo adicionando levedura de cerveja a batidos) os vegans conseguem obter vitamina B12 e assim garantirem os níveis regulares. Outra forma disso acontecer é através da suplementação. Pois bem, aqui em casa não havia nada disso, então adicionei ao pudim de chia e aveia bebida de amêndoa (Alpro unsweetened almond milk), que é enriquecida em vitamina B12

• As castanhas do pará (castanhas do Brasil) são, tal como outros frutos oleaginosos, muito ricos em zinco.

 

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O desafio que a Estefânia deu à Inês

 

• Fotografa algo que para ti seja o teu significado de Nutrição e justifica-me o porquê do que fotografaste.

 

 Para a Inês, o significado puro de Nutrição é: uma imensidão de vitaminas, minerais e antioxidantes.

 

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1. Para começar: uma pergunta cliché que faz todo o sentido, visto teres uma conta no Instagram (@nutrines.oliveira) ligada à área. Porquê a escolha ter recaído na área da Nutrição?

É muito simples a resposta a esta pergunta. Em 2009, a minha mãe teve um linfoma (está tudo bem agora), e com alguns conhecimentos que já tinha conclui que, a alimentação é fulcral para a cura de uma doença tão assustadora, bem como para outras também… Assim decidi estudar na área da Nutrição! Sinto-me felicíssima por ter concretizado este objetivo de vida e poder ajudar as pessoas nesta área.

2. Quem te conhece sabe que tens uma irmã gémea, a Catarina, licenciada em Educação Social – partilho aqui o seu instagram dedicado à sua área de formação (@educacao_social_).
Não pergunto quem foi a primeira a nascer (para não criar disputas) mas pergunto: de que forma achas que a tua área e a da tua irmã se podem complementar?

Adorei a questão! Já agora fui a primeira a nascer (risos).
O curso da minha irmã em nada tem haver com o meu, mas complementam-se. Como? Promovendo ações de sensibilização na área da saúde, desporto e bem estar com diferentes tipos de público alvo (idosos, crianças, jovens, famílias). A Catarina teve uma cadeira no curso, intitulada de “Promoção de saúde – oportunidades, estratégias e práticas” em que abordavam vários temas relacionadas com a saúde nomeadamente, primeiros socorros, atividade física, alimentação saudável, problemas de saúde, hábitos saudáveis, obesidade infantil, políticas públicas de saúde, entre outras temáticas. No tempo em que ela teve essa cadeira, todos os fins de semana que eu ia a casa, a Catarina falava comigo sobre o que tinha aprendido e eu achava muito curioso o interesse dela pela área da saúde. Ora, posto isto, concluo que nos completamos perfeitamente nesta vertente das ações de sensibilização.

3. Dos 4 anos em que convivi contigo, sempre tive a ideia que és uma rapariga bastante desportiva. Confirma-se? Confirmas-me ainda que a tua área favorita será a Nutrição Desportiva?

Confirma-se! Durante bastantes anos pratiquei basquetebol federado e ainda natação. Neste momento não pratico, mas as corridas e as caminhadas fazem parte da minha vida.
Sim, umas das minhas áreas favoritas é a Nutrição desportiva, sem dúvida! Como sempre adorei desporto a minha área de estudo, que é a nutrição, complementa ainda mais esta paixão.

4. Pessoalmente, acredito que tenha que haver sempre uma adaptação da nossa alimentação ao país em que nos encontrámos. Afirmo isto porque sei que fizeste o teu último estágio no Brasil, um país tipicamente conhecido pela picanha, arroz com feijão, água de coco, paçoquita, tapioca, frutos exóticos, entre muito outras coisas saudáveis e não tão saudáveis, tal como em Portugal. Houve alguma adaptação a fazer ou a alimentação continuou exatamente igual? Fala-nos um pouco disso e das diferenças que encontraste com a dieta mediterrânica.

Vou adorar responder a esta questão.
Sim, houve algumas adaptações. Quando cheguei ao supermercado pela primeira vez, reparei que não havia peixaria, claro que, naquela zona do Brasil faz sentido não haver, mas eu, como estou habituadíssima a comer peixe, vindo da lota/peixaria, sempre muito fresco e com muita frequência, para mim seria impensável prescindir dele. Depois lá encontrei os congeladores com peixe (com muita tristeza tive que me habituar).
Outra questão foi o típico arroz com feijão, nossa que maravilha! Confesso que em Portugal não comia, mas lá era impensável não comer.
Na zona onde vivi durante 6 meses, uma das bebidas que os lajeadendes não dispensam é o chimarrão. É uma bebida tipicamente brasileira, feita através de uma erva: a erva mate. Fiquei fã e até trouxe para Portugal.
No Brasil também comi com muita frequência tapioca, recheava sempre com doce de leite (maravilhoso este doce).
Falando de algo mais saudável... A fruta! Todas as semanas comia papaia, mamão, caqui (parecido ao dióspiro), abacaxi e goiaba, estas são as frutas mais baratas. Por incrível que pareça, só comi maçã uma vez, por ser extremamente cara.
Em relação à carne, como estou habituada a tudo caseiro foi um choque muito grande ter que comer as carnes vendidas nos supermercados. O facto de não terem sabor e de parecem que são puro “plástico", não me agrada! Ah, já que estámos a falar de Brasil, uma nota: não gosto de picanha.
Quanto à água de coco, só bebi uma vez diretamente do fruto, em Florianópolis, é bastante agradável e fresco! 
Resumindo, inicialmente custou um pouco habituar-me a novos alimentos, mas depois “deu tudo certo”, como os brasileiros dizem.

 

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5. Para terminar, e como sei que também gostas de cozinhar, aproveito para te colocar um dilema: preferias ter que preparar para sempre só pequenos-almoços e/ou lanches (não terias direito a outras refeições) ou tinhas o direito de preparar também almoços e/ou jantares, mas esses tinham que ser só peixe?

Sem dúvida que preferia ter que preparar para sempre almoços e/ ou jantares sendo esses só pratos de peixe. Prefiro o peixe à carne, sempre.

 

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