Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cozinhar com

Venez j'vais vous aider. On descend et hot c'est parti - Amélie Poulain

À Conversa com (Bárbara Oliveira)

A Bárbara tem a sensação que nasceu com o gene DRD4-7R, responsável por determinar se alguém prefere a comodidade de casa ou a urgência de viajar, assim sendo, de forma muito amável, também se aventurou a responder a umas quantas perguntas e ao desafio por mim proposto, deixando o meu blogue, tal qual um dos seus objetivos com o mundo, "um bocadinho melhor". 
O dia mundial do livro foi ontem, mas só hoje é que vos presenteio com esta leitura que certamente vos fará viajar! Afinal de contas não é isso que as boas leituras nos fazem?

 

O desafio foi ilustrar através de uma fotografia a seguinte frase de Antoine Saint Exupéry: 

 

“Sou um pouco de todos que conheci, um pouco dos lugares que fui, um pouco das saudades que deixei e sou muito das coisas que gostei"  

 

Desafio 1

 

Obrigada por este desafio! É mesmo verdade que a Bárbara de hoje é isso tudo. A Bárbara que hoje responde às tuas perguntas “construiu-se” em todas as experiências que teve até agora. A frase começa com “Sou um pouco de todos os que conheci” e essa é talvez a maior das verdades, aprendo muito com cada pessoa que se cruza comigo. Depois claro, os lugares têm sempre algo a ensinar também. E as saudades então…ai as saudades! As saudades da “minha realidade” e que valorizo sempre de outra forma quando me distancio dela durante algum tempo. Por isso sou isso tudo! É uma frase com a qual me identifico bastante, pelo que escolhi tirar uma fotografia em que eu apareço a olhar para o horizonto com o pôr-do-sol (desculpa-me o clichê por favor!) porque é de facto o que representa para mim a “absorção” de tudo o que vivo. Tirei esta fotografia no meu café favorito da Ilha de Moçambique que se chama “Rickshaw”. Rickshaw (riquexó em Português) é um meio de transporte e não tivesse eu uma certa paixão por meios de transporte, que achei que poderia ser uma boa representação dos lugares que já fui e que me “construíram”. Bem como, por ser um transporte antigo consegue-me dar um sentimento de nostalgia, ou de saudade, pelo que achei que seria um bom cenário para ilustrar a frase que me pediste! Espero que gostes!

 

WhatsApp Image 2017-04-23 at 17.46.45

 

1. Notei que umas das imagens que te poderá definir, para além de todas as tuas incríveis fotografias de viagens – vão ver tudinho no instagram @wanderandnutrition! – é a de uma fruta – O Ananás! Como ambas sabemos, é bom para a digestão porque contém uma enzima, a bromelaína, que tem influência positiva nesse mesmo processo. Agora pergunto-te, porquê o ananás? Poderíamos dizer, metaforicamente falando, que tal como esta característica do ananás, imagem que atribuis ao teu blogue Wander and nutrition é uma forma de “digerires” tudo o que vais vivendo (e vendo) – tanto de bom, como de menos bom – nas viagens que fazes, inclusive a que decorre neste momento por Moçambique?

Querida Estefânia, engraçado pois nunca tinha visto as coisas nessa perspetiva! Mas faz de facto muito sentido. Conseguir digerir tudo o que vivo ao longo das viagens e das experiências que vou vivendo é algo essencial para poder selecionar aquilo que devo ou não reter para mim. Tal como no processo da digestão, em que o nosso organismo seleciona aquilo que vai absorver e aquilo que vai deitar fora, também nós deveríamos ter a capacidade de reter aquilo que nos aumenta enquanto pessoas e “deitar fora” aquilo que nos pode tornar mais pequenos, deixar mais frágeis ou que tira o melhor de nós. Todas as experiências e as fases da vida que vivemos, de uma forma ou de outra, deixam-nos mais cheios de saberes e emoções que nos vão completando e vão formando a pessoa que somos e que queremos ser.
A imagem do ananás foi selecionada por ser um alimento colorido e apelativo: a sua grande coroa verde, que nos pode lembrar que devemos andar sempre de coroa e de cabeça erguida no nosso dia-a-dia. A sua casca rija, que nos recorda a força com que sempre devemos permanecer, mas que envolve um fruto doce e com uma textura muito especial e única, lembrando-nos também que é assim que devemos ser: doces, especiais e únicos.

 

WhatsApp Image 2017-04-23 at 17.38.24

WhatsApp Image 2017-04-23 at 17.38.25

 

2. Duas das vinte dicas que dás para sermos saudáveis é: “Ri-te. Ri-te muito” e “Não te compares com os outros”. Na tua opinião, achas que a sociedade atual está a caminhar no caminho certo – que será colocar em prática algumas das dicas faladas – ou pelo contrário – está a tornar-se cada vez mais sisuda e sem individualidade?

Acho muito que os conceitos de saúde e felicidade estão inegavelmente interligados. Pessoas felizes e positivas são, normalmente, mais saudáveis. E mesmo que a vida lhes pregue uma partida, conseguirão reagir e atuar melhor se o seu estado-espirito for positivo perante a vida. Também a saúde atua na felicidade das pessoas, será até mais fácil ver neste sentido. Uma pessoa com saúde acaba por ser uma pessoa mais feliz, mais grata por estar capaz de viver o seu dia-a-dia e por poder partilhá-lo com as pessoas que mais ama, na sua melhor condição.
Gosto de pensar que somos todos diferentes, e que num todo, em sociedade não haja um caminho 100% certo que estejamos todos a seguir. Desde a origem do ser humano, tenho a certeza que já houve muitas modas, muitas tendências e a verdade é que todos nós caminhamos, nem que seja um pouco, para essas modas e tendências. É também uma estratégia, por vezes inconsciente, de nos sentirmos parte da sociedade, o que não significa necessariamente que nos estejamos a tornar pessoas sem individualidade. Infelizmente, acho que muitas vezes somos atacados por situações que nos deixam mais frágeis e com uma autoestima mais baixa, levando-nos a compararmo-nos com outras pessoas que estejam em situações que nós consideramos melhores que a nossa. A verdade é que crescemos muito a comparar-nos com ou outros o que acaba por nos deixar com o foco no exterior e não no nosso interior. Devemos ter a capacidade de reconhecer que nunca sabemos, nem vemos o todo de uma pessoa e devemos saber que o nosso foco deve ser em nós próprios, isto é, não devemos querer ser iguais ou melhores que X pessoa, devemos sim querer ser melhores do que aquilo que fomos até agora. Só focando em nós próprios conseguimos alguma mudança sustentável e é isso que quero transmitir quando digo “ Não te compares aos outros”. 

 

WhatsApp Image 2017-04-23 at 17.45.12 

 

3. Dizem que “rir é um dos melhores remédios”, mas a prática de atividade física regular e uma alimentação equilibrada, saudável e variada, também. Tendo tu, pais professores de educação física, certamente esta premissa sempre foi incutida. Fala-nos um pouco sobre a tua relação com o exercício e a alimentação saudável.

É verdade, sou a filha dos “professores fixes”. Os professores de educação física são sempre os “mais fixes”, não é verdade? Cresci sempre muito ligada à atividade física e não me lembro de um ano da minha vida em que não tivesse praticado algum desporto. Comecei pela ginástica, que foi e é uma grande paixão. Mais especificamente a ginástica acrobática que pratiquei desde os meus 6 anos até ter sido obrigada a desistir com 16 anos por estar a ter notas decadentes no ensino secundário. Ao mesmo tempo que fazia ginástica acrobática cheguei a fazer Ballet, Hip-Hop, Trampolins, Tumbling, Patinagem Artística, Surf e ainda joguei ténis (muito provavelmente estou-me a esquecer de algum..). Na escola , as aulas de educação física eram as minhas favoritas e foi sempre o que me ajudou a subir a média.
Sempre acompanhei também o meu pai em caminhadas pela Serra de Sintra, passeios de bicicleta, voos de parapente, experiências de mergulho, que ele organiza e participa desde que me lembro! Sempre fui muito motivada pelos meus pais para praticar atividade física.
Em relação à alimentação saudável a história é outra (risos). A minha mãe nunca foi uma grande cozinheira então as nossas refeições sempre tiveram de ser muito… digamos “práticas” (aka alimentos já preparados ou refeições daquelas já prontas). Posto isto, o meu perfil nutricional nunca foi o melhor. Até há pouco tempo sempre fui assim mais para o “fofinha”. Eis que comecei a licenciatura em Ciências da Nutrição e a situação começou a melhorar, aliás, a situação mudou por completo. Não fiz uma “dieta para emagrecer”, simplesmente alterei o meu estilo de vida: comecei a alimentar-me corretamente e mantive sempre a prática de atividade física. Antes de vir para Moçambique frequentava um ginásio (que adoro e tenho imensas saudades), mas como aqui não há ginásios tive de me motivar para manter uma prática (quase) diária de exercício. Corro pela Ilha de Moçambique e faço exercícios localizados no telhado de minha casa com uma vista incrível sob este pedaço de terra.

 

WhatsApp Image 2017-04-23 at 17.43.37

4. Em Portugal vivem-se tempos de “aderência a modas”, nomeadamente à moda dos considerados “superalimentos”, produtos que grande parte do mundo da nutrição (e não só) nos últimos tempos tem andado a pregar. Em Moçambique, acredito que não haja essa aderência - nem pouco mais ou menos – por indisponibilidade dos produtos, capacidade financeira para gastar nisso, e se calhar mesmo, por desconhecimento. Uma das coisas que dizes fazer é “desenrascar com os alimentos simples”. Assim sendo, dou-te a escolher: alimentação “keep it simple” ou “aderir às modas superalimentosas”. Porquê?

Eheheheh, fizeste uma boa pesquisa de tudo o que andei para aí a dizer Estefânia! Então, primeiro há que saber o que é um superalimento. Segundo o que aprendi, o termo Superalimento é utilizado para descrever alimentos com alto valor nutricional e com vários benefícios para a saúde, contudo não passam de alimentos simples e naturais também, talvez com um acesso mais restrito. Mas este acesso também depende muito de onde estamos, não é? Por exemplo, aqui em Moçambique não tenho acesso a clorelas, spirulinas ou açai. Mas por outro lado, tenho acesso a Moringa! Quem já ouviu falar da Moringa? Estão algumas informações no meu blog: https://wanderandnutrition.wordpress.com/2017/02/14/moringa/. Acredito que daqui a uns tempos vá ser também um dos alimentos da “moda” e aqui é algo já muito usado e consumido. Tal como o famoso óleo de coco, que agora está na berra. Aqui é uma das gorduras mais consumidas, pois o seu valor económico é bastante acessível comparando com outras gorduras como o azeite.
Quero com isto dizer que não sou “contra” aos alimentos da moda, desde que sejam consumidos com moderação (como tudo, correto?) e sabedoria. Por isso, a minha resposta à tua pergunta torna-se complicada. Será que pode ser “keep it simple and natural”, que não invalida também o uso e consumo destes famosos “superalimentos”? Por favor aceita esta resposta.

5. Acho-te verdadeiramente uma rapariga sonhadora, que busca ascender, tal como um balão de ar quente, pessoal e profissionalmente em prol do Bem! Como tu o dizes, acerca da tua ida para Moçambique fazer o estágio à Ordem dos Nutricionistas, “vim cá tentar deixar o mundo um bocadinho melhor do que como o encontrei” – certamente conseguiste-o! Qual o próximo destino/mundo que gostarias de deixar um bocadinho melhor?

Tens muita razão Estefânia, sou uma pessoa muito sonhadora, por vezes demasiado utópica ao ser louca o suficiente a achar que posso mudar o mundo. Mas também acho que se não forem loucos como eu a mudá-lo, quem será?
Estefânia, sabias que é responsabilidade do Homem colocar o balão de ar quente no ar? Também é o Homem que o vira ora para a esquerda, ora para a direita. Mas o seu percurso, esse é “escolhido” pelo vento. Também Moçambique não foi uma escolha minha, costumo dizer que foi Moçambique que me escolheu a mim (bom, Moçambique e a ONGD HELPO), porque quando me candidatei a este estágio esperava ir para São Tomé e Príncipe, mas afinal acabei aqui, nesta Ilha lindíssima que é a Ilha de Moçambique.
Há dois anos tive uma experiência de voluntariado nas Filipinas que também me marcou imenso, nessa altura conheci 3 Indianos por quem me rendi completamente. Desde então que sinto uma imensa vontade de ir explorar a Índia e toda a sua cultura maravilhosa. Esse talvez fosse um sítio que gostasse “deixar um bocadinho melhor” até porque também apresente elevados índices de pobreza e de desnutrição. 

Vou direcionar o meu balão de ar quente para aí, mas quem sabe onde me leva o vento entretanto?!

 

WhatsApp Image 2017-04-23 at 17.51.02

WhatsApp Image 2017-04-23 at 17.45.10

À Conversa com (Mariana Neves)

A Conversa deste mês, no qual começa a Primavera, é com a Mariana Neves do blogue Chá & Girassóis por variadíssimas razões. Uma delas porque claramente continuaremos a consumir muito chá e/ou infusões (ponto essencial em todas as estações) e porque é tempo das flores começarem a florir e encherem os jardins de felicidade, que por acaso é o significado atribuído ao Girassol. Como em todas as Conversas, nesta também, tive que lançar um desafio à Mariana: fotografar algo que ilustrasse a frase “Esta primavera vou ter imensas cores no meu prato, mas o amarelo predominará.” O resultado, bem colorido e alegre, caracterizando a Mariana, está à vista. E a Conversa?  Está aqui, tim tim por tim tim com respostas repletas de boa disposição, respostas que apelam à nossa consciencialização e ainda vos disponibiliza a "receita" para um bom acordar. Afinal de contas é assim que aprendemos: cruzando conhecimentos e experiências. Mais vos digo... valerá também muito a pena aprender com a Mariana. Como? Cruzando cartas. 

 

IMG_9771

 

 

1. Se, no teu projeto de Cartas Cruzadas, cruzasses receitas que te fazem feliz, qual obrigatoriamente teria que estar incluída? Porquê?

Estefânia, esta é provavelmente das perguntas mais difíceis que alguma vez respondi.
Primeiro coisa que tenho que dizer é: eu adoro comer. A sério, estar à mesa a partilhar um prato é das melhores sensações para mim e é muito difícil escolher apenas um prato.
Segundo: para além de gostar de comer, amo cozinhar para quem gosto. Se o Cartas Cruzadas cruzasse receitas (e atenção que às vezes cruza) eu era ainda mais feliz. (Risos) A falar a sério! Se o Cartas Cruzasse receitas eu tinha que partilhar três essenciais que eu faço regularmente e amo de paixão. O meu risotto de cogumelos (que é o prato vegetariano favorito dos meus pais), os cogumelos Portobello no forno (o prato favorito do meu namorado) e o crumble (o prato favorito das minhas melhores amigas). Vês? Sem querer identifiquei logo as pessoas que mais importam para mim. Cozinhar é mesmo uma forma fantástica de amar e eu sou apologista disso diariamente. Mas bem, eram sem dúvida estas as receitas!

IMG_8051

IMG_7855

 

2. A tua ligação com a natureza é evidente e isso certamente refletiu-se no facto de hoje praticares uma alimentação vegetariana. Queres contar-nos um pouco sobre isso? 

Realmente, o amor que sinto pela Natureza reflectiu-se em muito do que eu sou hoje. Não só na alimentação vegetariana mas em todo o meu estilo de vida. Por exemplo, eu tento cada vez mais diminuir a minha pegada ecológica (o lixo que faço, as emissões de CO2 pelas quais responsável, etc). Aliás, comecei essa caminhada por uma vida mais sustentável e consciente ainda antes de me tornar vegetariana. Devo dizer que foi essa aprendizagem que me abriu os olhos para o impacto do vegetarianismo no ambiente. Abracei-o quase imediatamente. Tinha 15 anos e já nessa altura o vegetarianismo encaixava na minha vida e naquilo que eu defendia como uma luva. Hoje, passados 8 anos, o impacto que essa decisão teve na minha vida (e na de outros seres) é enorme e imensurável. Acho que para amantes da Natureza, na minha opinião, o vegetarianismo consciente (local, biológico e sustentável) faz todo o sentido. É um passo que com consciência todo aquele que ama o sol, o céu, as nuvens, a terra, o som dos pássaros e o vento, vai tomar.

 

IMG_8112

IMG_8469

 

3. Aproximando-se o tempo mais quente, para muitas pessoas o desafio de ingerir líquidos é superado mais facilmente, por razões óbvias. No entanto, como em todas as coisas, ainda existem as relutantes. Sendo tu uma menina do chá e/infusões, qual o sabor mais fresco que recomendarias? 

Outra pergunta difícil! (Risos) Eu no Verão sou muito fã de àguas aromatizadas. Aliás não só no Verão, quase todos os domingos há àgua aromatizada cá em casa, portanto tenho que falar dessa opção. Se vamos falar de chás e infusões, vou admitir que sou uma fã de sabores tropicais. O chá branco com maracujá e coco (que eu já te falei) fresquinho é o paraíso. No Verão também gosto muito de fazer erva príncipe com gengibre, é mesmo fresquinho. Para quem não gosta de chá existem muitos sabores, como por exemplo chocolate e frutos vermelhos que quando fresco é tão docinho que quase parece um sumo. As opção são ilimitadas e é injusto fazeres-me essa pergunta porque eu sou aquela pessoa que não vive sem os 2L de água diários. Mas para quem tem dificuldades, primeiros passos: águas aromáticas e infusões geladas (escolham biológico e se possível de comércio justo).

IMG_6281

 

4.  Quem te acompanha, sabe que tens vindo a “destralhar de coisas”. Para aguçar a curiosidade digo mais: quem quiser saber tudinho basta uma visita ao teu blogue. A pergunta que te coloco é a seguinte: achas que o minimalismo também se pode adaptar à nutrição? De que forma?

Sim, o minimalismo não se adapta só às coisas físicas, é um estilo de vida. Por exemplo se eu te disser que “adaptei” o minimalismo à minha rede de contactos, acreditas? O minimalismo é escolher permanecer com aquilo que nos faz bem e nos é útil. E claro que isso se adapta à comida: escolher o que me sabe bem e faz bem ao meu corpo. Simples, não é? O minimalismo passa muito, na minha óptica, por escolhas conscientes. Não é escolher só porque sim, porque está na moda ou em promoção, é escolher porque me faz e sabe bem. E sabes bem melhor do que eu o quanto isto se pode adaptar às nossas escolhas alimentares. Por exemplo, eu adoro chocolate, adoro mesmo. Um quadradinho de chocolate faz-me muito feliz e não quero abrir mão dele. O que eu comecei a fazer foi escolher o chocolate em função do sabor e do que ele representa, agora só compro de comércio justo e com muita percentagem de cacau. Isto é para mim o minimalismo.

IMG_6371

 

5. Por último, mas não menos importante, segundo julgo saber, e tal como eu, és uma gostas de aproveitar os dias, começando já de manhã cedinho. Deste modo, qual o conselho mais importante que deixas para as pessoas que têm o tão conhecido “mau acordar”?

Vá, Estefânia tu escolheste as perguntas mais difíceis! Não sei responder a esta pergunta. Não sei mesmo. Habituei-me a acordar cedo com o meu namorado e ele é aquela pessoa extremamente bem disposta quando acorda, portanto logo daí foi o meu exemplo. E comecei a acordar cedo por causa dele, mas mais tarde comecei a fazê-lo por mim. Acordar cedo faz-me ser tão mas tão mais rentável ao longo do dia. A sério é como àgua e azeite. Noto muitas diferenças a nível da minha concentração e produtividade. Portanto se acordar mais cedo me faz ser mais produtiva, se ser mais produtiva me faz cumprir mais objetivos e sentir-me bem, porque não iria sentir-me feliz por acordar cedo? Acho que este é o primeiro passo: perceber que queremos acordar a essa hora, porque é bom para nós (e não porque “temos”). Outra coisa que eu faço para realmente acordar é: nunca tenho o telemóvel que é o meu despertadorperto de mim. Quando me deito coloco-o no outro lado do quarto, em cima da secretária, assim quando o despertador toca tenho que me levantar para o ir desligar. Aproveito e subo logo as persianas e abro a janela. Ver a luz já não me faz ter vontade nenhuma de voltar para a cama, especialmente nestes dias de sol. Depois vou tomar banho ao som da minha música favorita na altura. Esta é a minha receita para resolver o “mau acordar”.

 

IMG_8310

À Conversa com (Inês Oliveira)

Eis uma fotografia que representa o meu pequeno almoço, que requereu algum raciocínio da minha parte. E de quem foi a culpa de tal raciocínio? Creio que da Inês. O porquê está no blogue! Adiante.. apesar de lhe estar a deitar as culpas, confiei na inocência dela (até porque foi um bom crime)  e quis que ela fosse a personagem principal desta Conversa.

Ambas ocupámos Leiria e a Escola Superior de Saúde nos mesmos anos e nas mesmas salas, mas acima de tudo partilhámos u gosto comum: a Nutrição. Ah! E um instagram com muito comidinha! Ao longo de 5 respostas tereis um grande privilégio (for free, boys and girls): viajar até ao Brasil! E mais não digo, para sabereis o resto tomai só o cartão de embarque e depois é convosco... se decidis ficar ou não? Eu ficaria, para ler mais Conversas e quem sabe não ter outras viagens de passar a perna a qualquer companhia aérea.

 

Troca de desafios

   

O desafio que a Inês deu à Estefânia

 

• Faz um prato 100% vegan, com alto teor em ferro, zinco e vitamina B12.  

 

Escolhi fazer um batido com espinafres, morangos, e kiwi. A acompanhar está um pudim de chia, aveia e bebida vegetal de amêndoa e ainda umas castanhas do pará. 

 

• Os espinafres ficou preenchido o requisito do ferro, mas não é bem assim.. Os espinafres apesar de o conterem, também contêm oxalatos em grande quantidade, um chamado "anti nutriente", isto porque, ao ligar-se ao ferro, diminui a sua absorção no organismo. 

• Os morangos e o kiwi, não é a toa que aparecem aqui, pois sendo frutas ricas em vitamina C, vão ajudar à absorção do ferro. 

• A chia, possui ferro numa quantidade 3 vezes superior à existente no espinafre.

• A aveia, por sua vez, é um cereal muito rico também em ferro, porém, contém igualmente um "anti nutriente" - os fitatos, daí eu tê-la demolhado no na bebida de amêndoa, de forma a diminuir o teor do mesmo.

• A vitamina B12. Existindo no desafio o fator vegan, tive que, obviamente, eliminar as principais fontes dessa vitamina - produtos de origem animal como o peixe, carne, ovos, queijo e leite.O que me restava? Levedura de cerveja ou algas - através destes dois produtos (por exemplo adicionando levedura de cerveja a batidos) os vegans conseguem obter vitamina B12 e assim garantirem os níveis regulares. Outra forma disso acontecer é através da suplementação. Pois bem, aqui em casa não havia nada disso, então adicionei ao pudim de chia e aveia bebida de amêndoa (Alpro unsweetened almond milk), que é enriquecida em vitamina B12

• As castanhas do pará (castanhas do Brasil) são, tal como outros frutos oleaginosos, muito ricos em zinco.

 

IMG_20170212_093825-01

 

O desafio que a Estefânia deu à Inês

 

• Fotografa algo que para ti seja o teu significado de Nutrição e justifica-me o porquê do que fotografaste.

 

 Para a Inês, o significado puro de Nutrição é: uma imensidão de vitaminas, minerais e antioxidantes.

 

Untitled design

 

 

 

1. Para começar: uma pergunta cliché que faz todo o sentido, visto teres uma conta no Instagram (@nutrines.oliveira) ligada à área. Porquê a escolha ter recaído na área da Nutrição?

É muito simples a resposta a esta pergunta. Em 2009, a minha mãe teve um linfoma (está tudo bem agora), e com alguns conhecimentos que já tinha conclui que, a alimentação é fulcral para a cura de uma doença tão assustadora, bem como para outras também… Assim decidi estudar na área da Nutrição! Sinto-me felicíssima por ter concretizado este objetivo de vida e poder ajudar as pessoas nesta área.

2. Quem te conhece sabe que tens uma irmã gémea, a Catarina, licenciada em Educação Social – partilho aqui o seu instagram dedicado à sua área de formação (@educacao_social_).
Não pergunto quem foi a primeira a nascer (para não criar disputas) mas pergunto: de que forma achas que a tua área e a da tua irmã se podem complementar?

Adorei a questão! Já agora fui a primeira a nascer (risos).
O curso da minha irmã em nada tem haver com o meu, mas complementam-se. Como? Promovendo ações de sensibilização na área da saúde, desporto e bem estar com diferentes tipos de público alvo (idosos, crianças, jovens, famílias). A Catarina teve uma cadeira no curso, intitulada de “Promoção de saúde – oportunidades, estratégias e práticas” em que abordavam vários temas relacionadas com a saúde nomeadamente, primeiros socorros, atividade física, alimentação saudável, problemas de saúde, hábitos saudáveis, obesidade infantil, políticas públicas de saúde, entre outras temáticas. No tempo em que ela teve essa cadeira, todos os fins de semana que eu ia a casa, a Catarina falava comigo sobre o que tinha aprendido e eu achava muito curioso o interesse dela pela área da saúde. Ora, posto isto, concluo que nos completamos perfeitamente nesta vertente das ações de sensibilização.

3. Dos 4 anos em que convivi contigo, sempre tive a ideia que és uma rapariga bastante desportiva. Confirma-se? Confirmas-me ainda que a tua área favorita será a Nutrição Desportiva?

Confirma-se! Durante bastantes anos pratiquei basquetebol federado e ainda natação. Neste momento não pratico, mas as corridas e as caminhadas fazem parte da minha vida.
Sim, umas das minhas áreas favoritas é a Nutrição desportiva, sem dúvida! Como sempre adorei desporto a minha área de estudo, que é a nutrição, complementa ainda mais esta paixão.

4. Pessoalmente, acredito que tenha que haver sempre uma adaptação da nossa alimentação ao país em que nos encontrámos. Afirmo isto porque sei que fizeste o teu último estágio no Brasil, um país tipicamente conhecido pela picanha, arroz com feijão, água de coco, paçoquita, tapioca, frutos exóticos, entre muito outras coisas saudáveis e não tão saudáveis, tal como em Portugal. Houve alguma adaptação a fazer ou a alimentação continuou exatamente igual? Fala-nos um pouco disso e das diferenças que encontraste com a dieta mediterrânica.

Vou adorar responder a esta questão.
Sim, houve algumas adaptações. Quando cheguei ao supermercado pela primeira vez, reparei que não havia peixaria, claro que, naquela zona do Brasil faz sentido não haver, mas eu, como estou habituadíssima a comer peixe, vindo da lota/peixaria, sempre muito fresco e com muita frequência, para mim seria impensável prescindir dele. Depois lá encontrei os congeladores com peixe (com muita tristeza tive que me habituar).
Outra questão foi o típico arroz com feijão, nossa que maravilha! Confesso que em Portugal não comia, mas lá era impensável não comer.
Na zona onde vivi durante 6 meses, uma das bebidas que os lajeadendes não dispensam é o chimarrão. É uma bebida tipicamente brasileira, feita através de uma erva: a erva mate. Fiquei fã e até trouxe para Portugal.
No Brasil também comi com muita frequência tapioca, recheava sempre com doce de leite (maravilhoso este doce).
Falando de algo mais saudável... A fruta! Todas as semanas comia papaia, mamão, caqui (parecido ao dióspiro), abacaxi e goiaba, estas são as frutas mais baratas. Por incrível que pareça, só comi maçã uma vez, por ser extremamente cara.
Em relação à carne, como estou habituada a tudo caseiro foi um choque muito grande ter que comer as carnes vendidas nos supermercados. O facto de não terem sabor e de parecem que são puro “plástico", não me agrada! Ah, já que estámos a falar de Brasil, uma nota: não gosto de picanha.
Quanto à água de coco, só bebi uma vez diretamente do fruto, em Florianópolis, é bastante agradável e fresco! 
Resumindo, inicialmente custou um pouco habituar-me a novos alimentos, mas depois “deu tudo certo”, como os brasileiros dizem.

 

Untitled design

 

5. Para terminar, e como sei que também gostas de cozinhar, aproveito para te colocar um dilema: preferias ter que preparar para sempre só pequenos-almoços e/ou lanches (não terias direito a outras refeições) ou tinhas o direito de preparar também almoços e/ou jantares, mas esses tinham que ser só peixe?

Sem dúvida que preferia ter que preparar para sempre almoços e/ ou jantares sendo esses só pratos de peixe. Prefiro o peixe à carne, sempre.

 

Untitled design (2)